Na sombra do cajueiro.

No balanço da rede o tempo descansa.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Já é Tarde?

No canto da sala um sussurro do tempo.
Os olhos a abrirem, o despertar da tarde, no tempo.
Tempo da tarde.
Tarde quente.
Quente tempo.
No canto da sala o sopro do vento.
Do dia, da tarde, do pensamento.
Pensamento da tarde espalha-se pelo canto da sala, pelo tempo.
E lembranças boas vão se acomodando no canto da sala, do tempo,
e do pensamento que voa.


Pode entrar!

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Fuxicos das Casas Coloridas



Casas coloridas de almas velhas
coladinhas cochicham

Nada passa despercebido
pelos olhos-janelas da Velha Cap

E sobre o que falam?
Sobre o passar da tarde
e sobre o passar da gente
e sobre tantas coisas mais
(quisera eu saber!)

O diário desta cidade (tão diferente!)
é esculpido no coração (e na velha alma) destas casas coloridas

Cidade que cansa de tanto repouso, mas que sempre se agita de repente,
cidade que pousa sobre doces colinas,
cidade que suspira uma vida suavemente leve.

E quanta coisa já não se passou frente estas casas coloridas, estes olhos-janelas!

Um tempo passado em tão pouco espaço,
uma velha urbe ainda com o en’canto de uma vila (do Mocha),
uma velha urbe tão provincianamente moderna!

Uma cidade
(que com o quase pouco volume de gente
e com o quase muito peso dos anos)
tornou-se uma terra densa.

Cidade densa que suspira uma vida suave’mente leve.
Cidade densa de poesias, de loucuras e de prosas sobre a vida alheia.

Vida leve como as cadeiras nas calçadas.

Esta Terrinha em que a simplicidade é o que há de mais profundo,
é minha Oeiras,
um lugar que não há outro no mundo.


Anna Bárbara Alencar de Sá e Freitas

(Oeiras, 20 de janeiro de 2006)


segunda-feira, 11 de março de 2013

Compreendendo


São tão pequenos os nossos problemas.
Tão miúdos.
E nossas possibilidades tão vastas.

Cabe-nos a decisão: manter perto os problemas ou as possibilidades.

E é tão mais fácil enxergar as possibilidades  -  que são tão maiores.

Agradeça.

Existir é um pre'sente Divino, não esqueça!

Agradeçamos. E façamos por merecer esta benção.

E peçamos coragem para trazer as possibilidades para perto.
E peçamos serenidade para compreender como os problemas são miúdos.
E que sigamos, sempre,  pelo caminho do bem, do certo e do justo

La Raspa Del Tacho

E o "La raspa del Tacho" que se trans'formou em "Bonito para Chover" foi, em 2008,  doce'mente lembrado pelo Portal AZ, assim como outros blogues de mulheres piauienses.

Obrigada, mesmo que tardiamente, a poetisa-jornalista ("Nat") que fez a matéria. 

http://portalaz.com.br/noticias/mulher/99795

segunda-feira, 4 de março de 2013

Legado





Eu queimei suas fotos antigas, seus cantos inúteis, suas chulas notas de real

Cortei seus ternos pretos, suas camisas limpas, suas calças beges de linho 

Hipnotizei seus servos, seus olhos, seus sonhos 

Mordi seu bife, sua orelha, sua mão

Rasquei seus bilhetinhos enamorados, suas anotações vulgares, suas idéias vãs

Comi seu fígado, seu pâncreas, sua mente

Quebrei seus copos, suas xícaras, seus pratos

Sujei seus tapetes, seu banheiro, seu carro

Explodi os cômodos cheios, as bacias sujas, os jarros caros

Mastiguei seus rins, seus chicletes, suas lembranças



Eu matei seus vermes, matei sua insegurança, matei seu não

Escondi seus tesouros, seus segredos, suas mentiras

Colhi seus lírios, sua seiva, seus desfrutes 

Arregacei suas mangas, seu fado, seu regaço

Castiguei seus inimigos, seus demônios, seus medos

Encarnei seus antepassados,  seus mortos, seus guias

Afaguei suas dúvidas, seus sentimentos, seus deslizes

Ministrei suas aulas, seu sono, seu tempo

Fotografei sua face, seu corpo, sua alma

Encontrei seus perdidos, seus achados, seus velhos amigos

Tatuei seus desenhos, seus pôsteres, seus ídolos

Estruturei seu dia, seus horários, seus avisos

Anotei seus recados, seus anúncios, seus telegramas

Pisoteei suas raivas, seus rancores, seus temores

Enxuguei sua saliva, suas lágrimas, seus suores

Atravessei suas ruas, seu trânsito, sua faixa

Degustei seus pães, sua carne, sua crença

Bebi sua coca-cola, sua incerteza, seu veneno

Soneguei seus desejos, suas manias, suas opiniões


Este foi o legado a ti deixado pelo meu falecido amor. 


Teresina, 03 março de 2005

Anna Bárbara

Um passo adiante, por favor.
Exceda.
Transborde.



Menos puDOR e mais CORagem.


Pinte e borde. 
Vá fundo, escave.

Eu sei e você sabe o quanto é bom e não tem jeito. 
Também é sabido que a riscos, estamos sujeitos.

Arrepender-se do que se fez é menos doloroso do que se arrepender por não ter feito.

Nisso o corpo concorda com a alma: morrer pelo excesso é bem melhor do que morrer pela ressalva. 

sexta-feira, 1 de março de 2013

o bicho humano precisa de dor.
na carne e na metafísica que chamamos de coração,
a dor precisa ser sentida para que a alma evolua,
para que se contemple a sanidade,
para que se agradeça os instantes de tranquilidade,
para que se cresça,
para que se engrandeça.


Guarde os analgésicos e aproveite a oportunidade.

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E para confortar as almas e os corpos doloridos, indico a leitura contemplativa deste ensinamento de Rubem Alves: "Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo.Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! Sem fogo, o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também. Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais  quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si.Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem  aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado. Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura. No  entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras, a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém. Em vez de sofrer pelas modificações que ainda não consegue, sinta-se grato pelas mudanças que já realizou." (do livro "O amor que acende a lua")


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Leve Arte leve



Gosto da fantasia poética, dos livros rasos, da manga verde. Gosto da arte assim... sossegada, amável, com cheiro doce. 

Todavi(d)a,  nada contra leitores densos. 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Classificados


Procura-se a Confiança Perdida.

Recompensa-se com muitas tantas juras de Amor.