Na sombra do cajueiro.

No balanço da rede o tempo descansa.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Fuxicos das Casas Coloridas



Casas coloridas de almas velhas
coladinhas cochicham

Nada passa despercebido
pelos olhos-janelas da Velha Cap

E sobre o que falam?
Sobre o passar da tarde
e sobre o passar da gente
e sobre tantas coisas mais
(quisera eu saber!)

O diário desta cidade (tão diferente!)
é esculpido no coração (e na velha alma) destas casas coloridas

Cidade que cansa de tanto repouso, mas que sempre se agita de repente,
cidade que pousa sobre doces colinas,
cidade que suspira uma vida suavemente leve.

E quanta coisa já não se passou frente estas casas coloridas, estes olhos-janelas!

Um tempo passado em tão pouco espaço,
uma velha urbe ainda com o en’canto de uma vila (do Mocha),
uma velha urbe tão provincianamente moderna!

Uma cidade
(que com o quase pouco volume de gente
e com o quase muito peso dos anos)
tornou-se uma terra densa.

Cidade densa que suspira uma vida suave’mente leve.
Cidade densa de poesias, de loucuras e de prosas sobre a vida alheia.

Vida leve como as cadeiras nas calçadas.

Esta Terrinha em que a simplicidade é o que há de mais profundo,
é minha Oeiras,
um lugar que não há outro no mundo.


Anna Bárbara Alencar de Sá e Freitas

(Oeiras, 20 de janeiro de 2006)