Que horas são?
Quase quatro da manhã.
Toquem os sinos, morreu um amor.
Morreu um grande amor.
Toquem os sinos e avisem aos poetas passionais,
Morreu meu grande amor, acudam-me com seus versos sentimentais, acudam-me!
Quanto a mim, quase-viva continuo a presenciar o passar do tempo, que não passa.
Continuo a passar a dor de quem tentou assassinar tudo que havia dentro, que não passa.
Tudo que chamou de minha vida, de meu bem, de meu amor.
Quase-morta choro como criança, depois da morte só me resta esperança de que renasça em mim qualquer coisa que me leve, que me conforte, que me dê uma vida pós-morte.
Quando morre o grande amor, a gente também morre.
Que sorte eu haveria de ter?
Toquem os sinos e avisem os poetas passionais,
A partir de agora visto preto, e por algum tempo não olharei no espelho para não te encontrar por lá.
A partir de agora presencio o passar do tempo até essa dor passar, até que eu reaprenda os passos dessa Dança,
E uma hora a Saudade cansa,
E eu volto a dormir, e a Sonhar.
“Quem foi que viu a minha dor chorando?!”

