Na sombra do cajueiro.

No balanço da rede o tempo descansa.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Conformar ou reformar.


o difícil na vida não são as pedras no caminho,

e sim as coisas que não estão ao nosso alcance,

que não importa a vontade, nem a luta, nem o reclame.


Mãos atadas,

um triste semblante,

a poesia calada na prateleira da estante,

o amor contido querendo ir a diante,

e não há o que fazer, nem ontem, nem amanhã, tampouco nesse instante.


Deixa o tempo passar,

enquanto isso, que alguém me traga um calmante!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Res'pire a manhã que desperta e a serenidade do velho que vende picocas,
ex'pire as cansativas esperas, as noites mal dormidas e as longas tristes horas,
ins'pire as telas do artista que vende sua arte na porta do banco Real.

e por fim, pire.

sábado, 18 de abril de 2009

Recado de D. Saudade.

A Poesia espiou-me pelo trinco da porta,
ao perceber, convidei que entrasse,
e ofereci café com bolachas,
Ela disse logo que não se estenderia,
que de longe trazia um recado,
que assim dizia:

"Não faça de tuas lembranças o reino de tua felicidade,
se o presente não for virtuoso,
não será comigo que terás tranquilidade!

Com afeto e zelo,

D. Saudade."

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Sala de Espera

Fitou o relógio,
Ainda restavam 6 minutos.
O tempo é bicho sorrateiro, dono de si, só faz o que quer.
Pronto, nem mais um segundo, era hora do rapaz sair do expediente,
Era hora de ela ficar presente a porta e o ver passar,
Tal qual fazia diariamente,
Engraçado, ele nunca se atrasava, tampouco deixava de dá-lhe a graça da surpresa,
Parecia a primeira vez, parecia a eternidade, era de tamanha riqueza!
O bicho tempo também faz suas caridades,
Por uns instantes se congela para que contemplemos a beleza,
Enquanto o rapaz passa, o relógio pára e tudo se inebria de graça e sutileza.