Na sombra do cajueiro.

No balanço da rede o tempo descansa.

sábado, 19 de outubro de 2019

Olhai o outro
Profunda’mente 
Olhai o outro 
Apaixonada’mente 
Olhai o outro 
Piedosa’mente 
Olhai o outro 
Com amor, com’paixão, com empatia e ternura
Te despe de teus pré-conceitos, de tuas vaidades, de tuas meias verdades.
Recolha-te a tua pequeneza 
E perceba a grandeza, a imensidão 
de perceber o outro 
de amparar o outro
de aprender com outro 
de se colocar no lugar do outro 
Até que um dia, tu perceberás
 que o outro não existe,
já que o outro: somos nós.

domingo, 18 de agosto de 2019

Casas coloridas de almas velhas
coladinhas cochicham
Nada passa despercebido
pelos olhos-janelas
E sobre o que falam?
Sobre o passar da tarde
e sobre o passar da gente
e sobre tantos...

O diário da velha urbe 
é esculpido no coração 
destas casas coloridas
E quanto já foi visto por estes olhos-janelas!

A cidade que cansa de tanto repouso,
pousa sobre doces colinas,
e suspira essa vida leve
Vida leve como as cadeiras nas calçadas.

Nessa Terrinha, a simplicidade é o que há de mais profundo,
é minha Oeiras,
um lugar que não há outro no mundo.



Velhacap,  2006


A dor está a serviço do bem
o bicho humano necessita 
na carne e na metafísica que se chama coração,
a dor precisa ser sentida 
para que você se sinta viva 
para nossa evolução 
Redenção
Salvação 
Nada vem de graça 
Não teria graça
A dor é nossa querida amiga 
é nossa propulsão 
ensina contemplar a serenidade 
para que se agradeça a simples tranquilidade,
para que se cresça, 
para que se engrandeça, 
para que encontre a felicidade 
Guarde os analgésicos e aproveite a oportunidade