Na sombra do cajueiro.

No balanço da rede o tempo descansa.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Que horas são?


O sol se deita, o velho balança o menino na perna, o pião jaz sua última rodadela. As alpargatas ao pé da porta adormecem depois de um cansativo dia de caminhadas.
O cheiro de café torrado invade a sala de estar.
Em um sobressalto o menino se levanta, e fita o encanecido relógio da parede, que deveras já oscilou várias vezes, marcando horas tantas, horas de quando ele ainda nem era menino. De quando ele ainda nem era.
Por alguns segundos eternos o menino fitou o relógio, o tempo, o ponteiro magro e apressado, e o ponteiro gordo e lerdo, o tempo que roubaria a sua meninice, suas férias, suas peraltices, o tempo que marcara a face e a alma de seu velho avô prostrado na grande poltrona flexível. Tempo que roubara sua robustez, seus sonhos, sua jovial insensatez.
O relógio, o menino, e o sol posto.
O menino dá a sua última olhadela no senhor das horas, certifica-se da sua marcação, e pergunta ao velho prostrado em sua flexível poltrona grande, “Que horas são?”.

Menino, larga isso, que o tempo não é brincadeira não.

Um comentário:

Unknown disse...

são as horas que fazem as gente perder os minutos.