
Desencontro
Ela- Que espécie de feitiço
Fez-te tão meu sem ser recíproco?
Ah, o amor não dá avisos,
Tua lembrança é meu abrigo,
Minha prisão, meu esconderijo.
Ainda me liberto de ti e de tudo isso.
Mas que não morra em mim o Amor,
Meu mais precioso sentido!
Ele- Que querer bem é esse que tanto mal me faz?
Que tempo é esse que tudo esquece e que ti sempre re’mete mais e mais?
Como esse tempo me trai!
Ah, minha maior vontade era de ter-te à vontade, sem esse leva e traz...
Quero ter-te entre braços como sempre tive entre versos, entrelinhas, entre meias verdades!
Ah, que sei eu do que é Amar, eu que sou só vaidade?
Amei tanto o amor, que esqueci que ele é pura despretensão e suavidade, e que se deve amar a amada, a amante, pois amar só o amor e o próprio semblante é hostil pecado, é a fatuidade ego’ísta do Eu que te levou do meu abraço, e que me fez retirante.
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