
Atravesso dias longos,
o Tempo me caleja os olhos,
e o Homem os cega.
Caí na tentação de me doar ao outro, a gente corre o risco de não nos ter mais. Corre o risco de perder a vontade nas outras coisas.
É sabor na boca de quero-mais, amor é vício.
Vício que os trocados não compram, vício que não tem na banca de jornal.
A dependência dói.
Dói ainda mais a abstinência.
Hoje o dia me pesa os ombros,
e minhas mãos estão atadas, teria eu como me desprender?
Olho ao espelho e me digo que não quero mais:
-Não quero mais o vício que não se pode ter, só quero depender de mim! Sou eu o sujeito do meu verbo viver!
Essa não é a primeira tentativa, mas nunca tinha mordido a mordaça, cansei de ter pena de mim, cansei de ser tão boa assim.
Que se rompam as grades, que a ventura renasça!
-Amém!
