Na sombra do cajueiro.

No balanço da rede o tempo descansa.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Do lado de lá

Os picolés não resistiriam por muito tempo,
o dia estava demasiadamente quente,
o isopor velho demais,
E ele?

Nem sabia mais.

Não sabia que dia era aquele.
Que dia seria hoje,
não comprava queijo do reino,
não andava em shoppings,
não colecionava mangar,
vendia picolés em dias quentes,
tinha duas irmãs que não conhecia,
tinha medo de altura,
e não suportava amarelo, por isso perdia a freguesia dos apreciadores de maracujá, manga, e cajá.
Não precisava de muito, não desejava muito, não queria demais.
Não tinha sonhos de riqueza, não lia jornais, não tinha medo de assalto.
Não tinha roupa nova, não tinha aparelho nos dentes, nem vivia em sobressalto.
Não tinha muitas vaidades, temia a Deus, mas não se impressionava com as tais verdades.


Conhecia os segredos do mundo, não perdia uma sexta no trevo, e nem passava vontade.


Que ainda haveria de querer aquele homem de meia idade?
Há outras espécies de vida na cidade.


Observe.
Sirva-se enquanto eles não derretem.

Um comentário:

Anônimo disse...

"Dá um certo trabalho decodificar todas as emoções contraditórias, confusas, somá-las, diminuí-las e tirar essa síntese numa palavra só, esta: gosto."



Post cada dia mais perfeito! Vc existe?