Na sombra do cajueiro.

No balanço da rede o tempo descansa.

sábado, 17 de julho de 2010

Contos da Previdência I

Um dia. Este dia.
Em casa tudo é tão bom.
Sem comprometimentos inadiáveis.
Algumas contas para pagar, passar na banca e comprar revistas e cigarros.
A senhora não tem muito o que fazer.
Não trabalha, é viúva e tem um filho maior de idade.
O filho está noivo. A pensão do falecido é boa.
Não tem maiores preocupações.
As contas, as revistas e o cigarro.
Duas vezes por semana, levar o cachorro ao parque e ir ao mercado.
Há dois meses não vai à academia, disse ao filho que foi um resfriado, mas na verdade foi porque descobriu que seu personal, um meio amante, tinha um namorado.
Pelo menos a dona não tinha por ele apego, era só para abstrair os nove anos de viuvez.
Um dia. Mais um dia em casa.
Ela tem que ir pagar a conta na frutaria, comprar café, queijo e azeitonas.
A doméstica fez a lista.
Ela também tem um encontro com um gato da internet, Moreno22, ela gosta de morenos e de homens mais jovens.
Ela não é feia.
Ela é vaidosa.
Ela é pensionista.
Como combinado com o broto ela vai de amarelo e rosa.
O filho liga, ela vai ser avó.
Avó? Pensa ela.
Tão nova!
Checa o relógio.
Já é hora.
O encontro é às seis.
Não há tempo a perder.
Um dia, este dia.
E ela pensa:
Fora de casa tudo pode acontecer.

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