Na sombra do cajueiro.

No balanço da rede o tempo descansa.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Da série Passionais:

De amor adoeço.
e parto.

Metade de um lado,
e a outra perdida.

De amor enlouqueço,
e esqueço a parte que me resta.

De amor, eu me perco,
perco o bom-senso e a urbanidade,
e me arraso na saudade que tem gosto forte.

Tantas vezes desejei a morte.

De amor, me re-ergo,
de amor próprio, quase soberbo.

Recolho a metade que estava caída ao lado,
coloco a parte que me resta no porta-retrato do criado-mudo.

Trato é trato.

Contrato unilateral que não pode ser revestido.
Vestido velho no prego de Drummond, já esquecido.

Acolho a decisão, da qual não cabe recurso.
E emudeço.

É separação. Não tem mais jeito.

Nesta madrugada, sonho com a tranquilidade que espreita os dias felizes, e espero
e o encontro que mereço.

Desta vez desejo sorte.

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