Na sombra do cajueiro.

No balanço da rede o tempo descansa.

domingo, 23 de outubro de 2011

Digo que não quero mais,

Mais uma vez.

No amor a gente vai perdendo credibilidade,

Mas vai ganhando todo resto.

terça-feira, 26 de abril de 2011

O tempo não se atrasa,
nem se adianta.


Não se apresse.
Não se estresse.
Sente e espere.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Catraca

Esse novo mundo novo,
embora camuflado de facilidades e aplicativos,
guarda uma grande vilã: Sra. Concorrência.


São sempre testes.

Teste para estudar em escola da Capital,
teste para ingressar em Ensino Superior,
teste para participar de um sarau,
teste [todo mês] para avaliar o rendimento,
teste para vencer licitação,

teste para tirar carteira de motorista,
teste para exercer uma profissão,
teste para ingressar no serviço público,
teste para ser atendente de balcão,
teste para ser boa esposa,
teste para a pós-graduação.

Catraca.

CA-TRA-CA.

Que palavra louca!
[cousa da nova civilização]


Quem não paga o bilhete,
não desce na estação.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A Noite e O Café

A Noite assobia a paz nas ruas
dos homens do dia, enfim.

Mas, espere.
A Noite precisa permanecer acordada.
Seja para velar o sonho e a boemia dos bons,
seja para vigiar a iniquidade e esperteza dos maus.

A Noite bebe muito café,
há três meses parou de fumar cigarros.
A Noite toma alguns remédios controlados.

A Noite tem que estar sempre em alerta,
e em bom estado.

A Noite não dorme,
não pode,
não consegue dormir.

Às vezes acompanho a Noite em sua vigília diária.

Como agora.



segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Menino e a Janela

Pela janela estática,
passa o menino correndo
[todo dia]

A campainha toca,
ele corre,
a aula urge,
a construção do pátio se ergue.
[ele sonha em jogar bola].

A sopa ferve
na cantina, na panela.
a batatinha espalha a rama no chão
da horta
e a vida passa,
e a vida padece,
aos olhos da janela morta.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Teresina

na tarde
passa
o dia
quente

arde
na terra
inteh a serpente


semente
do sol
do céu
do tempo

desalento
fervente
pungente

emerge
nas cores do fosco
lusco
fusco
a terra
da gente

na beira
da ribeira
de repente

corrente

o tempo para.

e
no banho
de rio
de sol
de céu
fervente
a cidade refresca a mente.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Fim do Mundo

Menos árvore,
mais carbono,
mais calor,
mais chuva,
mais enchente.


Misture tudo com urbanização
e com falta de urbanismo.

Neste instante o planeta aquece.

Ao retirar a árvore do Norte,
retira-se a vida do Sul.
É a tal Zona de Convergência.
É a tal demência de autodestruir-se.

A todo instante
menos árvore
mais carbono,
mais calor,
mais chuva,
mais enchente
e mais desastre.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O dia cinza é colorido para o nordestino.

Para o nordestino, o dia cinza é colorido.

É colorido, para o nordestino
, o dia cinza.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Julgamento

Uma das condições para que o juiz esteja investido na função de julgar é a imparcialidade.
Como decidir sobre traição e mentira se somos tão parciais ao ora réu?

Nestes casos, o provável, o esperado, e digamos, o desejado, é que o crime fique impune.

Por isso, reafirmo, o melhor é não saber [da materialidade e da autoria].

Todo julgamento é árduo e enfadonho.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ao longo do tempo,
vão escapulindo certas capacidades.
De compaixão é uma delas.
Na infância a vida é bem mais à flor da pele.

Talvez falte aos bispos e às presidentas,
a magia dos oitos anos
[de idade].





-É preciso que haja compaixão, para que haja alteridade.