Na sombra do cajueiro.

No balanço da rede o tempo descansa.

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

 

Jamais 

Se pode

Partir

Do lugar

Que mora

Dentro da gente

domingo, 7 de novembro de 2021

Sob o céu de areia 
Grãos de estrelas 
iluminam o luar 
A noite de cabeça para baixo 
O mundo de pernas para ar 

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

domingo, 14 de março de 2021


Se o tempo tudo esmaga 

Se a vida é assim tão rápida 

Que deixemos que o vento os males leve

Para que só permaneça 

Aquilo que nos alegre


Cabe aos nossos olhos

Cintilar o que é fosco 

Como ensinou Sartre

não importa o que nos fazem

Mas o que fazemos 

com o que fazem conosco 


Sabedoria é aprender 

com os dias de dificuldade 

É perceber que o Sagrado é intangível 

E que o material nada vale


A verdade vem do verbo ser 

A felicidade vem de dentro

Cultive o bom pensamento 

E seja cocriador do bem viver 

sábado, 19 de outubro de 2019

Olhai o outro
Profunda’mente 
Olhai o outro 
Apaixonada’mente 
Olhai o outro 
Piedosa’mente 
Olhai o outro 
Com amor, com’paixão, com empatia e ternura
Te despe de teus pré-conceitos, de tuas vaidades, de tuas meias verdades.
Recolha-te a tua pequeneza 
E perceba a grandeza, a imensidão 
de perceber o outro 
de amparar o outro
de aprender com outro 
de se colocar no lugar do outro 
Até que um dia, tu perceberás
 que o outro não existe,
já que o outro: somos nós.

domingo, 18 de agosto de 2019

Casas coloridas de almas velhas
coladinhas cochicham
Nada passa despercebido
pelos olhos-janelas
E sobre o que falam?
Sobre o passar da tarde
e sobre o passar da gente
e sobre tantos...

O diário da velha urbe 
é esculpido no coração 
destas casas coloridas
E quanto já foi visto por estes olhos-janelas!

A cidade que cansa de tanto repouso,
pousa sobre doces colinas,
e suspira essa vida leve
Vida leve como as cadeiras nas calçadas.

Nessa Terrinha, a simplicidade é o que há de mais profundo,
é minha Oeiras,
um lugar que não há outro no mundo.



Velhacap,  2006


A dor está a serviço do bem
o bicho humano necessita 
na carne e na metafísica que se chama coração,
a dor precisa ser sentida 
para que você se sinta viva 
para nossa evolução 
Redenção
Salvação 
Nada vem de graça 
Não teria graça
A dor é nossa querida amiga 
é nossa propulsão 
ensina contemplar a serenidade 
para que se agradeça a simples tranquilidade,
para que se cresça, 
para que se engrandeça, 
para que encontre a felicidade 
Guarde os analgésicos e aproveite a oportunidade

sábado, 22 de setembro de 2018


Disseram que você não poderia 
Não deveria
Que não era conveniente
Cruze as pernas!
Fale baixo!
Seja aceita
Linda, magra
Fina, refinada 
Estudada 
Bem sucedida
Boa esposa
Mãe dedicada
Seja a puta das quatro paredes
Mas seja a dama de sorriso tímido
Nada de gargalhadas, nada de muito mimimi, nada de pouca roupa 
O que vão falar!
Se dê respeito! 
Tenha vergonha na cara! 
Esse assunto não é pra você!
Aliás, nem te interessa 
Observe 
Fale pouco, escute muito
Não deixe escapar este partidão!
Não guarde mágoas
Aguente calada
Aceite 
Compreenda
Sirva 
Seja sábia
Acorde cedo
Ponha a mesa
Bata o ponto
Se sustente
Não fruste expectativas
Seja forte!
Engula o choro!
Porque disseram que você não poderia
não deveria 
que não era  conveniente 
ser mulher


segunda-feira, 4 de junho de 2018

-Poeta, a vida é um instante!
-Colega, o verso é uma constante!

domingo, 25 de fevereiro de 2018

A menina mira o céu divino
Suspira - encantada com o que vê
O cinza multicore o seu coração nordestino:
Tá bonito para chover!

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017


Poesia é qualquer coisa 
que nos mareia os olhos
que nos acaricia a alma 
que nos fala
que nos cala 
Poesia é qualquer coisa,
 são todos as coisas
e coisa nenhuma
que nos fala
que nos cala 
Poesia está por toda parte
À parte
Reparte
Une.
Afaga e arde
Aflora cá dentro e lá fora
Poesia é a gaiola aberta 
é o cheirinho do filho 
é o espaço entre o abraço,
é o pedido de calma e é o afoite 

Poesia é o tempo entre o dia e a noite.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Semeadura

Dentro de mim ele respira, cochila,
E me ins’pira
Dentro de mim sua morada,
E aí percebo que estava predestinada
a ser um dia a sua casa-casulo
Dentro de mim eu arrebento 
Penso, meu Deus, um rebento!
Mal sei cuidar de mim, que aventura! 
E assim, nesse momento, sou vento que germinou semente! Sou semeadura.
Sinto-me, talvez, mais forte, mais segura,
Sou o tempo que cria,
Sou criadora e criatura 
Sou só Ventura de te ter dentro de mim.


terça-feira, 15 de novembro de 2016

Gosto das tardes serenas, dos livros mansos, de manga verde com sal. Gosto da arte de cheiro doce, da canção piegas e do verso banal. Camarada, a vida é leve, é folha que escapole pela mangueira do quintal, sossegue e deixe pra lá essa problemática existencial.

sábado, 15 de agosto de 2015

Manhã de sábado

Engraçado que com o tempo, as pessoas vão se escapulindo de nossas vidas. E nós da vida de tantas outras. Não por maldade, desamor ou desdém, mas porque a vida é assim mesmo, escorregadia, cheia de asas e de passarinhos, cheia de vai e vem. 
A vida leva, a vida traz, mas por ser tão generosa, a vida também deixa, deixa a lembrança. Lembra-se dos amigos de infância, de balada, de confidência, de estudo, de estágio, de dar trabalho... Amigos que voaram e que de quando em vez pousam na linha do tempo das redes sociais, então se tem notícia dos vôos, e silenciosamente, a gente se sente perto. Como nessa manhã de sábado. 

sábado, 13 de junho de 2015

Poeminha Enamorado

Amar é uma inquietude constante,
 uma calmaria presente.
 Amar é uma cafonice, uma sandice. Um desliga você primeiro. 
É ser da Bossa e ter que ouvir sertanejo. 
O amor é essa sutileza, essa leveza, essa ins'piração! 
Zé, obrigada por tirar meus pés do chão! 

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Constatação

Há velhos amores - que embora se façam de morimbundos - apenas adormecem e um dia, ao longo da vida, despertam do sono profundo. 

sábado, 15 de março de 2014

Lados

Lá fora chove
Cá dentro arde. 

domingo, 9 de março de 2014

Mari é uma criança traquina e poetisa.
Mari anda.
Mari corre.
Mari rima. 
Mari sonha.
Mari atiça.
Mariposa. 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Poeminha da Leveza




Quintana, se a vida é breve,
Que seja leve, então!
Mais leve que o ar.
Quero os pés e os sonhos fora do chão.