Na sombra do cajueiro.

No balanço da rede o tempo descansa.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Não estamos aqui pra eleger o Preto, nem o Branco, mas o direito de sê-los!

Manifesto não pró, mas também Não contra Tabaco I

O ônibus pára por 5 min, para embargue/desembargue, cinco ou seis passageiros descem, ao invés da vermelha fita no braço, eles tem um cigarro nas mãos. Todos já sabem quem são.
Cinemas, ônibus, salas de justiça, a fumaça era parte fidedigna de todos os cenários, há um pouco mais de duas décadas, mais de 30% dos maiores de 12 anos deixavam o fumo leve fugir pelos dedos, tal qual Florbela.
Alguns por tradição, outros por modinha, outros por hábito, alguns por influência, outros por disposição.
Inícios vários, mas quase sempre com a mesma conclusão: o vício.
Vício, defeito físico e/ou moral, mau hábito inveterado, costume condenável... São coisas estas que os dicionários definem.
Então pergunto, o que é que na vida se faz que não é vicioso?
O que não é prazeroso, talvez.
O excesso, a libido, o doce de coco.... Tudo isso requer uma libertinagem, uma desmoralização, uma animalidade...
Enfim, voltando ao fumo, tabaco, charuto, cigarrilha.... todo mundo sabe seus malefícios, como também conhece os do bacon, das noites insones, da festiva embriaguez...

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Como qualquer coisa que passa a tarde fervendo em terra quente muito quente do norte, a qualquer coisa passou. como qualquer outra coisa que também passa.
Só não passa esse tempo quente fervente que não venta não chove, só não passa esse calor infernal que faz dessa terra ícone da evolução humana! Fantástica civilização que sobrevive na mais quente das terras americanas!
terra das mais desvairadas excentricidades, das mais criativas linguagens, das mais lúcidas insanidades!

E que nossa QuenTeresina seja louvada!!


O melhor do Piauí é o piauiense!


terça-feira, 14 de agosto de 2007



Antônia

Cada dia se passava como uma vida,
Um entrelaçar de obscuros instantes,
Outro endereço, outro escritório, outra estante,
Mudanças constantes,
Contraia gonorréias, confundia semblantes
Senhores roliços, botequins, mulheres gestantes
Dólares, porradas, perfumes,
Sina errante,
Ora era mulher, ora era amante
Ora de cobre encoberta, ora tanta fome!
Ora e outrora tão díspares, todavi[d]a tão semelhantes!

José Inácio, Manoel Sousa, Arnaldo Cavalcante
Ora não sobrava mais horas, mas ela continuava a ir adiante.




quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Nosso tempo é o Agora!


Os destroços de um sonho ao meio do fora-do-tempo, do espaço.
Destroços de quem fez tantos planos
E de nada adiantou,
O povo pobre inquilino, das terras do coronel dotô,
O riacho com dores, sede, e fome,
Esquecido em terra que tanto fez por onde,
Cospem na nascente de onde brotaram as gerações pioneiras.
Alguém um dia disse que o destino de todo rio brasileiro era morrer, alguém um dia disse quem não ama sua terra não terá onde viver. E eu cá comigo, sem mesmo entender, por que nossa matriarca ribeira, nessas terras sertanejas não pode sobreviver?


Foto: Tempos bons de cont'artes! Pintamos & bordamos, fizemos renascer...

A arte pulsa nos paredões esquecidos de um riacho morto!

SOS MOCHA, essa luta não pode padecer!


sábado, 4 de agosto de 2007

oWerDose


Enfadados passageiros esperando a locomoção nas duras cadeiras azuis de madeira cerrada da rodoviária da pequena cidade do interior do distrito de San Rafael do departamento de Mendoza.
Mujeres prenhas andarilhos descalços pedintes magros perros esfomeados mendigos drogados meninos & Ele. Esperando penando na friagem com sono e a perua que não vinha, e a fome aumentando.
Preguiço corpo estendido sobre o cansaço de dias fadigosos trabalhosos tediosos rotineiros que mal deu para pagar as 3 papas fritas e o pão velho e o palermo rojo e o ramón cru e o viño seco. 120 pesos. Todo consumo de uma semana. Além da dormida em um cômodo imundo de um antigo prédio francês em ruínas dividido com mais três. 80 pesos. Carregou caixa enrolou charuto chupou uma bicha magra roubou um velho barbudo. 600 pesos 35 reais e um dólar roído que não valia mais além de uma hérnia e uma dor na coluna. É preciso.
É preciso ganhar o litro de leite, as amantes, as glicoses. E o ônibus nada de chegar.
Foi deixar as bagagens na sala de embarque para viagens internacionais. Parou. Ele. Comprou un pancho e una Quilmes.
Um casal de andinos se aproximou. A gorda mujer de rosto marcado o mirou e com a mão fez um sinal. Lo muchacho magro em um sobressalto pegou a carteira e correu desenfreado. Ele, pobre coitado!
Sem documento, sem um puto furado. “Porra, nunca tinha pensado num assalto!”
Clandestino em terra distante em língua diversa em passos errantes sem regaço abraço laço afago ou afins perdido des_com’pass(ad)o.
Sem carteira assinada sem garantia sem nada nem cachaça nem tabaco nem cevada. Outrora dias de boemia ahora melancólica poesia funesta estiagem.
Duras cadeiras de merda! Desumanizados assentos coluna doendo fechado tempo frio cortante desacostumado corpo de retirante tão friorento. Quanto tormento!
Atraso.
Perdido em pensamentos momentos difusos sem passa-tempo instante fome desalento terra querida tão ao norte e ELE sem sorte sem parentesco sem endereço sem nada entender.


OWERdose. Ficou à mercê.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Acá muy Buenos Aires,
Ajá mucha seca, e calamidad,
Pero se quieres saber,
En bueno portugués, é de lá que sinto Saudade.