Na sombra do cajueiro.

No balanço da rede o tempo descansa.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Toquem os sinos!

Que horas são?

Quase quatro da manhã.

Toquem os sinos, morreu um amor.

Morreu um grande amor.

Toquem os sinos e avisem aos poetas passionais,

Morreu meu grande amor, acudam-me com seus versos sentimentais, acudam-me!

Quanto a mim, quase-viva continuo a presenciar o passar do tempo, que não passa.

Continuo a passar a dor de quem tentou assassinar tudo que havia dentro, que não passa.

Tudo que chamou de minha vida, de meu bem, de meu amor.

Quase-morta choro como criança, depois da morte só me resta esperança de que renasça em mim qualquer coisa que me leve, que me conforte, que me dê uma vida pós-morte.

Quando morre o grande amor, a gente também morre.

Que sorte eu haveria de ter?


Toquem os sinos e avisem os poetas passionais,

A partir de agora visto preto, e por algum tempo não olharei no espelho para não te encontrar por lá.

A partir de agora presencio o passar do tempo até essa dor passar, até que eu reaprenda os passos dessa Dança,

E uma hora a Saudade cansa,

E eu volto a dormir, e a Sonhar.


“Quem foi que viu a minha dor chorando?!”


2 comentários:

eueoutrasdemim disse...

valei-me como dói! eu sei, já senti, foi assim: o espelho fazia medo, mas era o que refletia força, ser leal a si! beijo

Rosa Magalhães disse...

Um belo texto, moça. Já li alguns seus, todos encantadores. Volto mais vezes por aqui...

www.odamae.zip.net