Na sombra do cajueiro.
No balanço da rede o tempo descansa.
terça-feira, 1 de julho de 2008
Garotos de Ipanema
O playboy é filho de gente grande.
Gente da Justiça,
Com seus milhares por mês.
Prestígio e perigo.
O filho querido anda com mais três.
Homens. Guarda-costas.
Segurança Pública velando a classe nobre,
O filho da Justiça.
Boate da Zona Sul, muita fineza e carnaval,
Playboys com suas roupas caras, suas meninas burras, e suas caras de mal.
A ternura o dinheiro não compra, tampouco a sapiência.
Criaturas ainda não evoluídas exalando demência.
Olhares trocados.
Uma ameaça a sua fêmea.
As feras se enraivecem.
E está instalada a confusão, para a alegria geral da retardação.
Murros de cá, cotoveladas de lá.
As aulas de jiu-jitsu almejavam seu fim.
Poderia ter ficado só por ai.
Mas o filho da Justiça possuía seu público segurança.
Seu público segurança militar tinha porte, e tinha arma.
Arma tinha munição, tinha morte.
Um dois tiros pra cima.
Ego tolo se alimentando.
Corriam.
A alegria geral da retardação corria.
Um tiro pra frente.
Um menino que ali se divertia ruiu no chão.
Uma morte, o fim de um filho.
Que não era de gente tão grande.
Filho da Injustiça.
E agora como crer que a Integridade segue adiante?
Padeceu um menino.
Padeceu uma mãe.
Padeceu uma Dignidade.
Quem terá Juízo?
Ordena-se a lei do arbítrio.
E a vida fica a mercê da Militar Bestialidade.
[da pública segurança privada,
que tem por dever resguardar a sociedade.]
...
E as mentiras se tornam cada vez mais verdades.
["..Segurança baleou e matou o estudante Daniel Duque Pittman, 18, na saída de uma boate em Ipanema, zona sul do Rio, no sábado (28). Pittman foi baleado na cabeça pelo policial militar Marcos Parreira, que é segurança da promotora Márcia Velasco e de seu filho Pedro Velasco."]
Marcadores:
ipanema crime militar
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
Belo poema!Belo e verdadeiro!Verdadeiro e muito necessário!...ah,obrigada pela visita ao meu blog,volte sempre que desejar! bjosss
Postar um comentário