Na sombra do cajueiro.

No balanço da rede o tempo descansa.

sábado, 1 de agosto de 2009

Imprecisão

"A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida Que eu já tô ficando craque em ressurreição."

Elisa Lucinda


Resolvi procurar meios místicos, poéticos, químicos e fototerápicos para me libertar deste afeto insensato, deste apego frenético.
Já tentei de tudo.
O Rivotril faz dormir e sonhar e acordar pessimamente com o mesmo pensamento doloroso.
O pior é se sentir ridícula, é agir de forma medíocre, descumprindo preceitos fundamentais da tal etiqueta social e boa convivência.
O bom-senso vai por água abaixo, por loucura adentro.
Pergunto-me se não seria vaidade, se não seria ego ferido, defesa da rejeição sofrida.
Quiçá nem seja rejeição, mas o curso natural das coisas.
A resposta desconheço.

Se nós, que pela doutrina cristã somos a obra-prima do todo poderoso, temos um ciclo vital, pelo menos no quesito biológico, por que o amor não teria?
Guardo com carinho amores que tive. Amores que me mostraram a vida com outros olhos.
Quem teve bons amigos e bons amores viram a vida de vários modos e sentiram prazeres que jamais conheceria sozinho.
Amar é tão bom, entretanto o mundo é tão grande e impiedoso. E não mandamos nele, tampouco nos acontecimentos.
Quando somos criança achamos que o mundo é nosso, que ele nasceu pra nos prestigiar, que todos agem em função de nós, e que nossa vontade é decreto.
Então crescemos, e a fantasia se depara com a realidade concretamente orçamentária, cínica e financeira.

Percebemos que podemos fazer muito pouco, e que o único mundo que mudamos de fato é o nosso.
Morreremos e o universo continuará intacto, e talvez até as pessoas com as quais convivemos também. Exceto a poluição, o desmatamento e as decepções, coisas do bicho gente.
Nesse mundo o amor não tem liberdade, não tem curso livre e florido, pelo contrário, há todo tipo de pedra e provação.
Pela primeira vez tive que desistir de um grande amor pelo mundo, e não por falta de sentimento.
Nunca doeu tanto.
Fiz o que não devia, perdi o controle e o pudor.
Mas enfim, o escopo dessa prosa não era contar os fatos, e sim buscar a solução.
Como esquecer um grande amor?
Com outro?
Quando um sai, deixa tudo... Roupas, cartas, memórias... Não cabe outra visita, não há espaço nem para armar uma rede.
Se mesmo assim tentarmos, será mais uma ilusão, e o coração ficará ainda mais pesado, cheio de mágoas.
Então, cheguei a conclusão que só o São Tempo.
Neste instante é tarde, e o Tempo ainda está nublado, tudo dolorido, todo amor próprio desnorteado.
Mas os dias passam, e com eles vão as amarras e vem a tranquilidade. É assim que espero que assim seja.
Eu espero renascer.
Escrever consola, e um dia eu estarei lendo essa prosa como uma lembrança boa, e não como o pesar de agora.

3 comentários:

Cynthia Osório disse...

me fez lembrar uns rabiscos que fiz,começa assim: "perdoe a dor de amor"
é uma saída...rsrs
ah, o texto ta no blog, caso queira dar uma olhada, chama-e súplica.

abraço!

eueoutrasdemim disse...

aos teus pés? amor...
pois que hoje é dia de lua cheia de amor e solidão...
oh, bom ser como a lua, faz voar os pés...
" eu tenho fases como a lua"
se hoje cheia amanhã minguante...
beijos

Anônimo disse...

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