Na sombra do cajueiro.

No balanço da rede o tempo descansa.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Clarão e Mariposa





[a solidão dela]

Entardece.

Para cada passo de um, há o caminho de outro.
É preciso que as pegadas sejam marcadas, e são.
Marcadas em um verso ébrio de um guardanapo amassado,
Em uma canção triste de uma noite erma,
Em um pedido guardado no fundo da gaveta.
(Desejos imersos em um bom uísque escocês.)

[a solidão dele]

Anoitece.

Para cada caminho, há um passo a seguir.
É preciso deixar o olhar re’pousar, e ele pousa.
Pousa em um guardanapo sujo de outros fregueses, que o garçom ainda não recolheu,
Pousa em uma canção que o faz lembrar um amor que já perdeu,
Pousa em um pedido alheio nunca realizado, que leu nos classificados, e que nunca esqueceu,
Pousa em uma noite como todas outras, de dia fadigado.
(Dúvidas imersas no café das seis.)

[a solidão a dois]

Amanhece.

“Duas torradas, e um ovo frito”,
O pedido do homem ao lado a trouxe outro desejo,
Um desejo realizável!
“Para mim também!”, sussurrou.
De repente se viraram, olhos nos olhos como em uma canção triste,
Guardanapos amassados cheios de versos, não mais tão ébrios, não mais tão sós, espalhados pela mesa,
Um pedido, dois pedido, o mesmo pedido.
Perdidos, encontrados.
Um passo era o caminho do outro.
Marcas que se deixam,
Olhar que se pousa,
E eles se ad’miraram, Clarão e Mariposa.

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