Na sombra do cajueiro.
No balanço da rede o tempo descansa.
sábado, 1 de dezembro de 2007
Não pare na pista, não passe á vista
Trocavam fúteis dizeres em suas confortáveis e luxuosas cadeiras.
Um restaurante nobre freqüentado pela mais hipócrita elitezinha fedida, com seus nomes pendendo nas ações de cobrança, e nas colunas sociais.
“Ah, lá é tudo de bom, ouvi de dizer que tá bombando!”
E assim iam/vão revezando conveniências, asneiras, e riquezas vãs.
De repente, não mais que de repente.
Pobres moleques negros passavam nas calçadas.
Pobres moleques negros não podem pisar em calçadas tão ilustres, de local tão alinhado!
Eles não têm dinheiro para pagar nem uma água, nem para entrar no banheiro, nem para andar nas calçadas!
Ladrões, ladrões!
Os rostinhos maquiados de L’oréal e cinismo contorceram-se temerosos.
Pobres moleques negros passando em calçadas tão nobres, “só podem sem ladrões!”.
Passavam os moleques e as moçoilas requintadas recolhiam as bolsas ao colo.
Passavam os moleques e os rapazotes guardavam os celulares pós-modernos nos bolsos.
Passavam os moleques e a policia foi acionada.
Passavam os moleques e a burguesia se desesperava.
Levariam cartões, brilhantes, tênis caros!
Passavam os moleques.
Passaram.
Aliviados os rostinhos suspiraram.
Pobres moleques negros apenas passavam.
Pobres não podiam passar por calçadas tão altivas.
Pobres causaram pânico.
Por serem pobres.
Por serem moleques.
Por serem negros.
E eles só queriam passar.
E passaram levados, enxotados pelos amedrontados e desconfiados olhares endinheirados.
Eles sem dinheiro nenhum, só poderia ser um assalto, “os arrastões estão por todo lado”, pensaram.
Os moleques negros e pobres só queriam passar.
E passaram.
“Sai daí, neguinho, que aqui não é lugar de pé-rapado!”.
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