Na sombra do cajueiro.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
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__________Não ter Perto quem se tem __Dentro __é___Crueldade.___________
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quarta-feira, 28 de maio de 2008
Alumeiam os olhos de Argos.

teus cem olhos em vigília
velavam meu adormecer,
[50 despertos, 50 adormecidos]
50 holofotes alumiando meus sonhos,
50 anjos guardando minha sorte,
ah, mas puseram-te a dormir, gigante meu,
desatento ficou meu sono,
triste partir,
Argos Panoptes,
cortaram tua cabeça,
fez-se estrela ao céu sorrir,
teus cem olhos viraram asas,
ao pavão colorir,
e quando tal pássaro passa,
sinto teus olhos alados protegerem meu porvir.
domingo, 25 de maio de 2008
Morre o poeta vivo.
Olhem as ruas tristes, atordoados os transeuntes cantarolam!
Morreu o poeta!
Morreu o poeta vivo!
O que será de nós sem poetas?
Mortos?
Ah, o dia cambaleia dentre as horas secas.
Anunciam os jornais, as bocas, as mulheres prenhas, os velhos funcionários públicos, os padeiros...
Os cartazes anunciam, morreu o poeta!
Morreu o poeta vivo!
Jamais vi olhinhos que riam tanto, jamais vi um velho tão menino, jamais vi um poeta tão e’terno, tão além dos vivos.
Vive o poeta em versos mortos que não podem morrer,
Vive o poeta eternamente em teus versos, versos que por tantos e tantos séculos ainda hão de viver, e emocionar meninos, jovens e velhos que teus versos solver.
Saudoso Hindemburgo Dobal, os meus mais belos aplausos!
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Disparate passional
De tuas terras, puseram-me retirante,
fui sem norte, sem verdades,
ex’pulsa de leito tão delirante.
Por dores eu vi, por mágoas andei.
E hoje nem sei o que é felicidade.
Seria eu assim tão errante?
Marcou-se em meu semblante
a forma do tempo e de suas perversidades.
Con’tudo vou adiante,
Que Deus me dê Coragem!
Que eu desaprenda o que é Saudade,
E que não me julguem meliante!
O querer é sentido,
Sentido não tem pretexto,
Erro de tipo ou de proibição?
De quem é a culpa, do proibido ou da paixão?
Querer não faz sentido.
Não tenho licença, autorização, nem registro,
Mas meu querer é estar contigo.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
sábado, 17 de maio de 2008
É Verdade ou Mentira?

Difícil falar em verdades
quando as gentes só querem ouvir mentiras.
crer em men'tiras.
A grande verdade é que verdade não há,
E a grande mentira é que a mentira verdade trará.
[Mentiras sinceras não me interessam, e a ti?]
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Cada pessoa constrói o seu mundo, o seu universo.
Paralelos pelo corpo, colateral pela alma.
Um ponto. Vários pontos. Lig’ações.
E as pessoas vão por ai se encontrando, se reconhecendo, desvendando a si próprio pelos olhos do outro (seria isso ad’mirar?). Dos outros. Outros que amam, outros que odeiam Outros que nem tanto. Olhos outros. Inquisições.
Enaltece, descrimina-se, acalenta. Aterroriza. Olhos outros têm tantos dons!
Tons, brilhos, acordes... Tantos!
Ah, não sei não.
Que se liguem todos os cosmos, que recriemos as constelações!.
Que se revelem todos os desejos, todas as estrelas, todas as paixões!
Que sejamos não só espelho, como reflexões.
( amados vão,
amados vêem,
lembranças insistem,
saudade fica,
e Amor resiste. )
sábado, 10 de maio de 2008
laço que me embaraço
Você surgiu como a leveza do poente,
Inebriou meus olhos,
Estremeceu meu corpo,
Enalteceu minha mente,
E vez salivar minha boca.
Deixou-me louca, quando a lucidez já me batia à porta,
Deixou-me rouca, quando o silêncio já entoava minhas madrugadas quase mortas.
De tanta glória,
Eis que se despontou a inquietação.
Falar em paz quanto a palavra é paixão,
É lero-lero.
[mas precisava ser tanto?]
Preço tão caro o desse encanto!
Sem poder, eu quero.
Venero as mãos de quem não posso tocar.
Lembrança é vazio. Vazio aflora em noites.
Noites vazias devoram.
Noites devoram.
De solidão, frio, vácuo, noites devoram.
Por quais caminhos rumam teus passos?
Precisaria me perder para te encontrar?
Meu desejo é mascarado. Guardado na última gaveta do armário.
E tanta angústia me faz passar!
Valeria a pena ou não haveria escolha?
Que laço é esse que me embaraço?
Amar assim sem poder é até maldade.
O deleitoso é degustar do abraço, e não se alimentar de saudade.
Talvez a hora que for já será tarde.
Até quando, amor?
Vem logo, revelar-me a felicidade!
[ Quero teu corpo de sol acalentando minha noite de chuva ]
quinta-feira, 8 de maio de 2008
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Hoje fui dormir toda contente,
[Depois de uma noite insone]
Só porque descobri,
[que tu sejas meu confidente]
O que é mesmo esse tal Amor,
Criatura tão surpreendente!
Desvendei!
É uma con’fusão de sensações iminentes!
Uma hora faz desabar o mundo,
Outra reinventar as gentes,
Não há momento permanente,
Só há uma vontade louca,
De sentir o Amado em minha boca!
Amar é querer.
[Sem egoísmos, sem desenlaços]
Querer ser fruto da tua semente,
Querer ser o caminho do teu passo,
Ser o bailar da tua estrela cadente!
Amar não é, nem deve ser,
É só sentir,
É mais que prazer.
[sem explicações]
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Espera-se.
Relógio de pulso que pulsa mesmo sem ponteiros.
Ponteiros vagarosos!
Testemunhando o passar do tempo.
Espera-se
Um cigarro. Lá se vão mais dez minutos.
Relê-se o panfleto do supermercado três vezes. Big Ofertas! Oh, dinheiro nenhum.
Espera-se.
Senta-se no banco de sua exaustão.
Ele não veio.
Tudo perde a graça.
Ela olha pro lado.
Duas moças gargalhando a madrugada passam.
Ela as acompanha.
Ele não veio,
E hoje continua a ser sábado.
"eu sinto tanto, eu sinto muito, eu nada sinto, como dizia Madalena, replicando os fariseus, -quem dá aos pobres empresta, quem dá aos pobres empresta Adeus!".
