A cidade calada presencia o passar do tempo. De-vagar.
Da colina que ergue a Igreja do Rosário avista-se a cruz do morro, e o nome da cidade em pedra na pedra fundida.
De riba da frente da cruz a vista alcança o Leme e a Santa de mãos arqueadas, que só por ser de gesso não se cansa de tanto rogar por terra de tamanha insanidade.
Das escadas infindas do Morro do Leme vê-se a torre de telecomunicações que dá ares de prosperidade tecnológica à pequena cidade velha.
Da torre que ninguém sobe, fora os desvairados suicidas, nada se vê.
Continuo o passeio pela Ruy Barbosa, avenida do movimento urbe. Bares, Points, Postos. As praças vazias perderam o encanto da mocidade. “Só há potó e criança”, advertiu-me a sorrir a moçoila que veio de férias.
O asfalto petrolífero dá lugar aos paralelepípedos coloniais. A Oeiras Nova vira velha em um passo. Literalmente.
Poeticamente. Impossível estar na terrinha e não respirar poesia.
Calada a cidade. Fala-se baixinho, pois cada sussurro dito pode ser ouvido pelas janelas cheias de olhos. Coladinhas umas nas outras as casas vão cochichando o escutado.
De repente o silêncio se cala, fala-se alto, “discute-se” “política”(gem), tudo assim entre aspas. Discutir que nada! Cada qual já tem sua paixão, seu fanatismo, sua irretratável opinião. As ideologias são mesmo poucas. Ganha-se quem paga mais (?!).
Portanto, muito bate-boca, carros e motos de som, zoada insuportável! Foguetes. Chateações. O silêncio se cala. A cidade muda se recolhe entristecida. Será essa a nossa Oeiras dita tão querida?!
Voltando a Poesia, ao cheio de alecrim, às casas coloridas de almas velhas, ao gosto bom das noites frias, à Cruviana...
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