Na sombra do cajueiro.

No balanço da rede o tempo descansa.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Cá espero um bem-querer que ainda não veio,
Uma pele, um pulso célere, quiçá um beijo...
Ah, não quero um amor para vivê-lo,
Mas para sê-lo,
Viver?
Já vivo sem ele,
Ser?
Não sou sem tê-lo,
Que a inquietação do amor brote em meu peito,
E que o apego se desapegue,
Para que eu não negue o direito do amor ser ele mesmo.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Sempre procuram fazer o laço,
Dar desenho a aquarela,
Inteireza ao fato,
Tampa a panela,
Certeza ao inesperado,

Sem saber que o encanto está no inacabado!
Atipi’cidade cotidiana


Seus negros pêlos fartos sobre sua pele clara,
Longos poucos tragos pela madrugada, um fumo vulgar.
Uns óculos postos, a vista já escassa.
Balançava na rede na varanda no 203 no Alvorada na rua 8 de maio no subúrbio numa cidade do norte.
Qual sorte haveria de ter?
Folheava as páginas tantas de um parecer antigo de um tio de um amigo seu que um dia fora procurador de uma cousa qualquer outra.
Ah, piegas leituras de uma noite de sexta-feira em uma cidade que dorme, mas não tão cedo!
Piegas, piegas, piegas!O que enfim não era piegas na vida dele, homem de fartos pêlos de uma cidade do norte? ‘
Ah, ele há de ter alguma sorte!
Haverá?
Piegas, a sorte é a mais piegas de todas as crendices humanas!
Ah, que sorte teria aquele que nunca teve norte?
Aquele que foi peça vazia difusa jogada ao léu?
Como dar vida a quem só conheceu a morte?
Piegas, a morte é a mais piegas de todos os temores humanos!
De tão certa é tão arriscada!
Oram pra reservar seu lote no céu, todavi(d)a não querem ceder do prazer pecaminoso desse mel, mel que só cá se encontra, nessas terras abaixo, de homens, mulheres, sexos, roque e ciranda!
Vem, vem, moço, bailar nessa dança!

*

querida, por sentir tanto da ferina hipocridia na pele é que hoje vivo tão recolhida, vejo as lírios da minha sacada, assim como as moçaendras que balaçam e as goiabeiras que frutificam! cá estou esperando-a pra aquele café! abraço querida, por sentir tanto da ferina hipocridia na pele é que hoje vivo tão recolhida, vejo as lírios da minha sacada, assim como as moçaendras que balaçam e as goiabeiras que frutificam! cá estou esperando-a pra aquele café! abraço

P.A

*

E então, depois de tantas e outras, a gente vai aprendendo a se re'colher, a se internar dentro de si...Você é como os lírios, maçoendras, e goiabeiras (nossos filhos brotarão da goiabeira do quintal!), você é parte deles, reflete neles, eles te compreendem, acompanham, oram, e silenciam, recolha-os.

Devemos aprender o silêncio sábio dos lírios, maçoendras, e goiabeiras, porque nossas bocas sempre dizem a mais do que as outras bocas disseram... Para não comenter o risco-vício do excesso, guarde a inteireza das palavras alheias.

Compreeender, acompanhar, orar e silenciar.

A.B

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Vesos à lenha, e que venha o fogo à dois!


Versos à lenha


Mui me agrada as palavras duras.
As palavras secas, desvairadas de tão lúcidas, de tão sóbrias!
Lembre-se a lou’cura, não te preocupa tanto com os pudores das senhoras!
Palavras cruas, descaradas, desnudas são as mais valiosas!
Dizem que Palavrão é cacete, merda!
É boceta, é foda... mas tão mais feia é Marirosa,
E é palavra bem vista, é nome até de cartão de visita!
Gosto das palavras frias e do seu poder de cura,
De invasão, de dizer o máximo de sua potencializarão, e não há quem não se derreta quem não ceda quem não atrele sua carne e sua mente.
Gosto, enfim, da frieza das palavras calientes!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007


Seu Juvenal lá da fazenda Ipiranga
Que toma o leite de sua vaca, e come a tapioca que planta
É muito mais humano
Do que essa gente da cidade grande, que nem com os próprios pés anda!
Que não sabe de onde vem a roupa que veste, nem a cachaça que bebe, nem quem é mesmo que manda!
Cada qual estar para si, e para o mundo, nos é dada uma sorte, e uma missão,
É preciso por magia, ternura, e bondade ao que se vive,
Guiando sua própria condução,
Até porque é tão fácil ser triste,
E pôr-se a mercê de sua condição.


quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Poesia dá ida ao leva e traz


Enegrecia o céu, desabando em tormentas,
Dores se alastrando pelos vales, seca esfomeando os lares, abatida e vaga cena...
Almas moribundas cambaleando pelas ruas ermas, velhas prostitutas com seus peitos caídos, homens falidos cheios de soberba, viados gargalhando alto, uma névoa negra...
Raios partindo a noite, os espíritos, os amores,
Anunciou-se a guerra entre a desumana humanidade,
Hasteou-se a lança de cobre, e pôs-se a desordem como ordem, a esperteza como norma, o individualismo como sentença, a desavença como idealismo!
Ah, mas graças que a natureza não falha, segue seu ciclo com astúcia e destreza, fartas tetas de mãe negra!
Depois de ríspida tormenta, sempre renasce chuva nova, broto novo, açude cheio, pasto farto, terra fecunda...
A água correndo pelas veias dos riachos padecentes, a existência remanescente revigorando-se, dando voz aos rios perenes!
A calmaria pousando nos lares... A cadeira na calçada, o cheiro de chuva, a sinfonia dos grilos e pardais, tudo se tecendo em bonança e paz!
É a poesia dando vida a minha vida, dando ida a esse, enfim findo leva e traz.

sábado, 6 de outubro de 2007


P2

Vi a tua juventude se embriagar de tua boemia,
E de teu mundo dentre bancos, canteiros, e escadarias,
Vi a poesia tecer a noite, e o centro de artesanato compor sinfonias e desatar açoites,
Vi o teatro reinventar a fantasia, e o balé cantarolar o drama e a alegria,
Vi as mariposas pousando em tuas esquinas e vendendo suas primazias,
Vi teus moribundos se com’fundindo com o asfalto,
Vi dos miseráveis, o altruísmo, e da burguesia, o assalto
Vi tua arte brotar das mãos calejadas dos andarilhos que criam colares e alegorias,
Vi o que não se vê em qualquer mundo,
Vi o que se vê por debaixo dos trilhos, dos retalhos,
Das máscaras, dos etílicos, e dos fumos,
Vi o despir da nudez de quem se entrega e se liberta, e cá encontra seu rumo,
Pois cada qual respeita a singularidade de cada pessoa-mundo!

terça-feira, 2 de outubro de 2007


Que seja abençoado o dia em que a humanidade perceberá que a sapiência brota da insanidade!

Ainda confundem genialidade com loucura!

Que abram as portas de todos os hospícios!



"...Bicho de 7 cabecas, bicho de 7 cabecas..."EMBRIAGAI-VOS!