Atipi’cidade cotidiana
Seus negros pêlos fartos sobre sua pele clara,
Longos poucos tragos pela madrugada, um fumo vulgar.
Uns óculos postos, a vista já escassa.
Balançava na rede na varanda no 203 no Alvorada na rua 8 de maio no subúrbio numa cidade do norte.
Qual sorte haveria de ter?
Folheava as páginas tantas de um parecer antigo de um tio de um amigo seu que um dia fora procurador de uma cousa qualquer outra.
Ah, piegas leituras de uma noite de sexta-feira em uma cidade que dorme, mas não tão cedo!
Piegas, piegas, piegas!O que enfim não era piegas na vida dele, homem de fartos pêlos de uma cidade do norte? ‘
Ah, ele há de ter alguma sorte!
Haverá?
Piegas, a sorte é a mais piegas de todas as crendices humanas!
Ah, que sorte teria aquele que nunca teve norte?
Aquele que foi peça vazia difusa jogada ao léu?
Como dar vida a quem só conheceu a morte?
Piegas, a morte é a mais piegas de todos os temores humanos!
De tão certa é tão arriscada!
Oram pra reservar seu lote no céu, todavi(d)a não querem ceder do prazer pecaminoso desse mel, mel que só cá se encontra, nessas terras abaixo, de homens, mulheres, sexos, roque e ciranda!
Vem, vem, moço, bailar nessa dança!
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