Na sombra do cajueiro.

No balanço da rede o tempo descansa.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Poesia dá ida ao leva e traz


Enegrecia o céu, desabando em tormentas,
Dores se alastrando pelos vales, seca esfomeando os lares, abatida e vaga cena...
Almas moribundas cambaleando pelas ruas ermas, velhas prostitutas com seus peitos caídos, homens falidos cheios de soberba, viados gargalhando alto, uma névoa negra...
Raios partindo a noite, os espíritos, os amores,
Anunciou-se a guerra entre a desumana humanidade,
Hasteou-se a lança de cobre, e pôs-se a desordem como ordem, a esperteza como norma, o individualismo como sentença, a desavença como idealismo!
Ah, mas graças que a natureza não falha, segue seu ciclo com astúcia e destreza, fartas tetas de mãe negra!
Depois de ríspida tormenta, sempre renasce chuva nova, broto novo, açude cheio, pasto farto, terra fecunda...
A água correndo pelas veias dos riachos padecentes, a existência remanescente revigorando-se, dando voz aos rios perenes!
A calmaria pousando nos lares... A cadeira na calçada, o cheiro de chuva, a sinfonia dos grilos e pardais, tudo se tecendo em bonança e paz!
É a poesia dando vida a minha vida, dando ida a esse, enfim findo leva e traz.

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