Na sombra do cajueiro.

No balanço da rede o tempo descansa.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Ins'piração

O romântico precisa da separação,
o repentista da rima,
e o sertanejo da chuva
para fazer poesia.

domingo, 21 de novembro de 2010

Poema do Boêmio.

A vida feita em verso
se faz poesia.

O tédio esculpido nos dias,
o resto de rum,
o vício, a caderneta,
a poesia esquecida.

Naquele instante,
o bêbado perde os trocados e a sorte.

O verso inacabado,
É a hora da morte.


Uma notícia de jornal: Velho embriagado sucumbe em mesa de bar na zona norte, enfarte fulminante.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A minha terra tem um gosto forte de passado, e um cheiro doce de laranjeira.

Dá saudade.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Os pardais cortam o silêncio da tarde.
Pela janela passa a vida depressa sem ter onde chegar.
Perdera os sonhos no ralo da pia, e a libido no copo em que guarda os dentes.
A vida inútil e sem pressa escorrega pela tarde.
Dias normais.
Querido, vê-me um destes comprimidinhos.
Preciso dormir bem.
Preciso não acordar.
Há um momento na vida, aliás vários momentos na vida, em que escorrega o sentido de todas as coisas.
Aonde se quer chegar?
É um tempo medíocre, de valores deturpados na coluna social.
A velha moça voltara a frequentar os diálogos virtuais.
Ela não tinha mais pressa, agora, era o tempo que esperava por ela.
Rum e água tônica.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

São bons os momentos felizes
Eles tem gosto de suco de uva.

Suco de uva é elixir da longevidade.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Contos da Previdência II

Já era noite, ela já estava cansada.
Não tinha mais graça na noite, só sono.
8 e meia e se pronunciava o cambaleio.
Era tão bonito o rapaz.
Moreno como o sol poente.
Avermelhado. Parecia uma miragem.
O moreno tinha muita disposição. Trabalhava 10h diárias, e ainda aguentava uma sexta de sacanagem.

A moça velha pensava em já estar esclerosada, sua memória vivia de passagem por instantes cuja existência era duvidosa.
Não sabia mais se era lembrança de um fato ou de um devaneio.
Sua memória não só se enchia, como também mandava momentos embora.
Datas. Não lembrava nunca.
Passara o aniversário do neto e ela nem ai.
Três anos como ascendente em segundo grau.
Parecia tão velha essa idéia.
Mas ela não. Insistia em não pensar assim.
Perguntavam se era o filho caçula.
Veja só, como as pessoas são cinicamente agradáveis.
Esquecera de muita coisa, mas não da imprevisibilidade das pessoas que vêm e vão.
Engraçado pensar assim.
Seu novo amor, que ela sentia ser o único e o primeiro, era um rapazote.
Maior de idade, pelo menos.
Era um preconceito social.
Só podia ser por interesse.
Podia ser por tanta coisa. Por que não por amor?
Viúva pensionista tem lá sem agrados.
Tem lá seus encantos aprendidos e ensinados na fila da Previdência.
Ainda arde de paixão. Paixão como todas as outras, como de todos os outros que já se apaixonaram, secou a velha moça.
Não se importava quantos tostões se perdiam nos vícios do enamorado.
O moreno tinha lá seu agrado, tinha lá seu feitiço aprendido e ensinado nos bares do cortiço e nas salas de bate-papo.

sábado, 17 de julho de 2010

Contos da Previdência I

Um dia. Este dia.
Em casa tudo é tão bom.
Sem comprometimentos inadiáveis.
Algumas contas para pagar, passar na banca e comprar revistas e cigarros.
A senhora não tem muito o que fazer.
Não trabalha, é viúva e tem um filho maior de idade.
O filho está noivo. A pensão do falecido é boa.
Não tem maiores preocupações.
As contas, as revistas e o cigarro.
Duas vezes por semana, levar o cachorro ao parque e ir ao mercado.
Há dois meses não vai à academia, disse ao filho que foi um resfriado, mas na verdade foi porque descobriu que seu personal, um meio amante, tinha um namorado.
Pelo menos a dona não tinha por ele apego, era só para abstrair os nove anos de viuvez.
Um dia. Mais um dia em casa.
Ela tem que ir pagar a conta na frutaria, comprar café, queijo e azeitonas.
A doméstica fez a lista.
Ela também tem um encontro com um gato da internet, Moreno22, ela gosta de morenos e de homens mais jovens.
Ela não é feia.
Ela é vaidosa.
Ela é pensionista.
Como combinado com o broto ela vai de amarelo e rosa.
O filho liga, ela vai ser avó.
Avó? Pensa ela.
Tão nova!
Checa o relógio.
Já é hora.
O encontro é às seis.
Não há tempo a perder.
Um dia, este dia.
E ela pensa:
Fora de casa tudo pode acontecer.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Da série Passionais:

De amor adoeço.
e parto.

Metade de um lado,
e a outra perdida.

De amor enlouqueço,
e esqueço a parte que me resta.

De amor, eu me perco,
perco o bom-senso e a urbanidade,
e me arraso na saudade que tem gosto forte.

Tantas vezes desejei a morte.

De amor, me re-ergo,
de amor próprio, quase soberbo.

Recolho a metade que estava caída ao lado,
coloco a parte que me resta no porta-retrato do criado-mudo.

Trato é trato.

Contrato unilateral que não pode ser revestido.
Vestido velho no prego de Drummond, já esquecido.

Acolho a decisão, da qual não cabe recurso.
E emudeço.

É separação. Não tem mais jeito.

Nesta madrugada, sonho com a tranquilidade que espreita os dias felizes, e espero
e o encontro que mereço.

Desta vez desejo sorte.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Do lado de lá

Um dia. Este dia.
Em casa tudo é tão bom.
Sem comprometimentos inadiáveis.
Algumas contas para pagar, passar na banca e comprar revistas e cigarros.
A senhora não tem muito o que fazer.
Não trabalha, é viúva e tem um filho maior de idade.
O filho está noivo. A pensão do falecido é boa.
Não tem maiores preocupações.
As contas, as revistas e o cigarro.
Duas vezes por semana, levar o cachorro ao parque e ir ao mercado.
Há dois meses não vai à academia, disse ao filho que foi um resfriado,
mas foi porque descobriu que seu personal, um meio amante, tinha um namorado.
Pelo menos a dona não tinha por ele apego, era só para abstrair os nove anos de viuvez.
Um dia. Mais um dia em casa.
Ela tem que ir pagar a conta na frutaria, comprar café, queijo e azeitonas.
A doméstica fez a lista.
Ela também tem um encontro com um gato da internet, Moreno22, ela gosta de morenos e de homens mais jovens.
Ela não é feia.
Ela é vaidosa.
Ela é pensionista.
Como combinado com o broto ela vai de amarelo e rosa.
O filho liga, ela vai ser avó.
Avó? Pensa ela.
Tão nova!
Checa o relógio.
Já é hora.
O encontro é às seis.
Não há tempo a perder.
Um dia, este dia.
E ela pensa:
Fora de casa tudo pode acontecer.

sábado, 26 de junho de 2010

Já estou com vergonha de estar sendo tão passional.

Que banal, que banal!

Encantamentos

Meu primeiro amor partiu para a América do Norte,

Fiquei a ver navios, dias sem sorte.

Depois surgiu um que era artista, excêntrico, e que tinha sina de ser sozinho,

deixou-me sem destino, madrugadas insones de desalinho.

Em uma noite insana, apareceu-me um ébrio habitual, que andava sempre na mesma rima, na mesma onda, pinga e pinga.

Não acompanhei sua disposição.

Com o tempo veio um bruxo budista cristão, cheio de crendices, mitos e fetichismos,

mas não acreditei em suas sandices!

Os dias se estenderam e acenou o perigo,

era um rapaz de virtudes, mas meio comprometido,

Longas horas de desolação e desabrigo.

Foi então que chegou um bom partido,

mas meu coração já tão perdido,

não encontrou emoção, nem sentido.

se ancorou em outro moço, este que me disse não,

sem conversa, sem compaixão,

e cá estou nesta prosa, contando mais uma história de desilusão.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Encontro

Foi assim, de repente, que o reconheci.
Sorrateiramente entre meus dedos, entrelinhas.
Instantes de delírios, inacreditavelmente reais.
Pele minha tão par da dele.
Vontade, desejo, lascívia.
Perdoe-me tamanha verborragia,
mas juro, que parece que foi magia.
De repente.
Tudo tornou-se claro.
Tudo tornou-se Poesia.
Momento raro, deveras, raro.
E foi assim que ficou meu coração, meu coração, meu coração ... atordoado.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

ZÉ DE HELENA


Bem que eu senti este sábado mais triste.

As cores do lusco-fusco de tão vivas cantarolavam a morte.

Partiu Zé de Helena, uma lenda da Velha Cap, um dos pioneiros no Piauí da homossexualidade escarrada (para quem quisesse ver e ouvir).


82 anos de escárnio e bem-prazer!
Aquele sim sabia viver.
Tenho nas paredes de minha infância, aquele homem elegante, de gestos finos, tecendo a decoração da igreja...


Que em outros ares, ele dê a honra de tão excêntrica alegria!
Reverências saudosas ao incomparável José Hipólito Marinho, o Zé de Helena!

sábado, 15 de maio de 2010

Como esquecer um grande amor

Nestes novos tempos, em que as famílias se diminuem e que a saudade tornou-se regra, virou moda o medo da solidão.
De qualquer solidão.
Ninguém mais quer estar sozinho, sempre transferindo a mágica porção da felicidade ao outro.
Por vezes estive só, mesmo que acompanhada.
Não foi nada além de boas tardes.
E hoje, neste instante, em que não sinto nada passional, tenho a ligeira impressão de que reconheço a integridade. A minha integridade.
Esqueçam essa tal dor de amor que lhes arrebata o peito.
Vou-lhes contar um segredo, vocês não precisam de ninguém, ninguém nasce ao meio.
Uma dica: parem de procurar pela ilusória metade perdida, e se olhem no espelho.

domingo, 9 de maio de 2010

Ah, e viva a mãe nossa de cada dia!
Hoje o marketing permite que ela ganhe um presentinho, merecido, né?

Aquece a economia.

Cada Minuto, Mahatma Fortes

Meu poeta músico amigo Mahatma Fortes está concorrendo (categoria não estudantes) ao 16º Chapadão, que ocorrerá no teatro Arena na praça da Bandeira, a partir das 19h, amanhã, 10 de maio, confiram a música Cada Minuto:



http://www.youtube.com/watch?v=q-rUEI3zklQ&feature=player_embedded#at=135


Blogue de divulgação: http://taominuto.blogspot.com/

terça-feira, 13 de abril de 2010

Foi visto um homem com uma maleta na mão,
foi visto o homem e seu coração,
foi visto o homem atravessando a avenida,
foi visto o homem caído ao chão,
foi visto seu coração fora do peito,
mas ninguém o deu atenção,
os curiosos fizeram um cerco,
e o homem nunca mais teria uma paixão,
foi tudo tão ligeiro,
só restou um cachorro e um segredo,
que nunca terá sua revelação,
o amor que estava em seu peito,
saltou no momento da colisão.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O presente sempre pode superar o pretérito,
desde que não se coloque a memória como pensamento prioritário,
[eu sei que não é fácil]

Sim, há mérito em projetar desejos, e em cortejar saudades,
mas fundamental é dedicar ao instante todo nossa vivacidade.

Não perca tanto tempo refletindo sobre o que fez de errado,
nem tendo maus ou bons presságios,
o fato é que só no agora vivemos,
não se pode ir ao futuro, nem se voltar ao passado.

Sinceramente espero que esta prosa-poética,
com nada se assemelhe com literatura de auto-ajuda,
mas sim com uma força frenética,
que faça o leitor sair à rua.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Quiçá seja essa certeza da morte que nos faz ter tanta pressa.
Quiçá seja essa pressa que apresse a nossa morte.

Mais calmaria, meu bem, mais calmaria, vá com calma e sorria.

domingo, 7 de março de 2010

Verdades cruéis te interessam?

Tenho aprendido que o mais eficiente é evitar certas coisas,
melhor não ficar sabendo, mesmo sabendo que se pode saber.
De que me valeria a verdade?
Se neste instante tudo não passa de saudade?
Melhor evitar quaisquer aborrecimentos,
Poupar-se, talvez esteja ai o enigma do tal contentamento.

.
.
.
Já já, chega tua hora.
Mais cedo ou mais tarde, tudo se transforma.

.
E então, verdades cruéis te interessam?

sexta-feira, 5 de março de 2010

A rotina tem me tranquilizado,

abstraio o passado,

é o cansaço de lavar tanta roupa suja,

e a ânsia de viver o presente,

ocupo minha mente e me torno funcional,

deixo as bobagens de amor esquecidas no varal.

terça-feira, 2 de março de 2010

Eu ainda me surpreendo com tanta coisa!
Por que o bicho-homem anda assim tão egocêntrico?
Até quando se há amor, cada um quer mostrar que é mais sincero, mais bonito, mais compreensivo...
Depois que li Ame e Dê Vexame fiquei com uma idéia de auto-suficiência alarmante... Roberto Freire é bem contundente ao afirmar "Porque eu te amo, tu não precisas de mim. Porque tu me amas, eu não preciso de ti. No amor, jamais nos deixamos de completar. Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários."
É bonito de ler e de se pensar, viramos super-heróis, donos de si...
Mas creio que isso era um escape do próprio Roberto, que quis se manter forte e liberto diante do medo do Amor, do medo da Perda, do medo da Solidão...
Melhor pensar assim, melhor pensar que não precisamos de nada além da gente...
Mas no fundo, lá no fundo, na prática a teoria é outra...
Que saudades de ti, meu desejo, eu não queria.... mas eu preciso!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Baile de Carnaval

Dia de festa,
pessoas coloridas com o sorriso impresso,
nos passos musicais dançam o frevo,
e entoam passos de bolero!

Sem tantos pudores,
alegres pelo momento e pelo etílico,
são jovens, grávidas e senhores,
todos no mesmo ritmo...

Há quem pense tratar-se de uma noite insana,
como é bom sair por ai e apreciar a selva humana!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Troco

Faz bem a gente fazer o bem as gentes.
No ofício tem que se ter muito capricho, para não ser inconsequente.
A ação sempre vira reação, o que se oferece é o mesmo que se recebe.
Agora, daqui a pouco, ou mais tarde.

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas", a Raposa ao Pequeno Príncipe.