Na sombra do cajueiro.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
os livros de Direito se tornam ultrapassados,
os discos de Bossa se tornam obsoletos,
o copo de plástico de um gole vai ao lixo,
o abraço é desfeito.
Tá um desperdício viver!
Creio que só a um jeito,
reciclar o que não pode ser perder.
Ouça: lembre-se de outrora,
a solidão nos perde e o amor nos transforma.
domingo, 6 de dezembro de 2009
tudo de repente acontece,
a todo instante tudo muda,
mas para que a gente também mude,
não se pode emudecer.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Ao meu Amor
nem quero fazer a mesma reclamação,
se neste instante se pronuncia a separação,
vou sair pelas ruas,
tentando me acostumar com a solidão.
Se te disse até logo,
eu, sinceramente, não queria ir,
foi uma grande simulação,
mas guarde um beijo meu debaixo do teu travesseiro,
e guarde os teus segredos para a hora da reconciliação,
pois quando se vai sem que se queira,
o tempo assenta a poeira e a sofreguidão,
e o gosto do beijo na boca não finda,
já será mulher a moça que tu deixastes menina,
amadurecida á tua paixão.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Interrogação
e uma instituição de ensino superior vira escárnio,
é tempo de rever os conceitos de uma nação,
e compreender que está tudo errado.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Sentido?
e para esse mal não há comprido,
não há solução viável,
e nem sentido.
Não há preço para que possa ser comprado,
e satisfazer o desejo reprimido.
Essa é a tal da Saudade,
esse sentir de ausência, esse meio sorriso.
Essa coisa inacabada, essa impressão de coisa inacabada...
é como se o espelho fosse um precipício,
é como se faltasse um pedaço da gente.
O que fazer com essa Saudade que me arde tanto o corpo quanto a mente?
Ai, como me arrasa!
Só o tempo pode aquietá-la...
Uma hora, eu sei, eu sei que passa!
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Mando notícias
O sol sempre estoteante.
A terra ainda mais fervente.
O curso das horas seguindo o ciclo quente.
Nada de tão surpreendente que te interesse,
sem notícias suas meu dia anoitece.
Sem estrelas.
sábado, 10 de outubro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Ninguém presta mais atenção aos Pau D'arcos que florecem agora em setembro, ainda bem que até o fim do mês há tempo.
Preste atenção na Ferventereina, e nas tantas outras terras do Serrado, e deixe aqui o seu depoimento.
ok?
Uma dica:
terça-feira, 25 de agosto de 2009
o dia e sua sina das 24h,
a volta ao sol,
a fotografia de cada hora,
as cores da aurora,
o calor do meio-dia,
o vagar da tarde,
o som dos canários no lusco-fusco.
A noite e sua calada imensidão.
Quanta doçura na claridade, na penumbra e na escuridão!
A realidade não é assim tão poética,
salas fechadas, cortinas nas janelas,
o ar-condicionado inibi o som das ruas,
que nem é mais tão agradável,
o tempo ágil em seu percurso,
aprisiona-se em afazeres inadiáveis,
o dia tão curto,
e com tão pouca tranquilidade,
com tanta pre'ocupação com as horas,
que ao invés de hoje,
a gente espera viver em outrora.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Crime Passional
nesse tribunal onde o amor nos deixa encarcerado,
temos a lua como testemunha,
o coração como jurado,
e você, meu bem, é o único condenado.
Sentença Transitada em Julgado.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Como dar a volta por cima sem perder a ternura e a graça?
Que faço para aliviar essa angústia que me devora?
Lágrimas comprimidas em embalagem tarja preta vão rolando pela face,
ver-te com outra a andar pela calçada
enquanto meus olhos turvam em uma lânguida dor.
É de pesar este instante,
é com uma melancolia profunda que vos sussurro esses versos,
como um suspiro derradeiro de quem não consegue encontrar a paz,
jaz em outrora a vivacidade de quem desconhecia o desamor e suas amarras.
A noite é impiedosa e com ela vêm a saudade e a perda,
tudo chega quando o sol se baixa.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
não me diga que você acreditou!
Quantos anos você tem?
Com essa idade e tão tola?!
Querida, eles mentem,
não digo todos, mas muitos.
Mentem pra uma e pra outra, e as duas caem...
Geralmente é assim.
A verdade é árdua, dolorosa,
só quem ama mesmo pode com ela,
quem não tem esse sentimento todo cai no vício da mentira...
E o que é pior, convencem mulheres como você.
Sim, não se desespere, amiga, li em algum lugar que mulheres inteligentes muitas vezes tinham escolhas insensatas...
Eu sei, eu sei, que a paixão vive de conversa com a insensatez... Mas você não precisava ir tão longe...
Você bem sabe que quanto maior o penhasco, maior a queda...
Tá bem, amiga, eu sei que você pensou que desse vez seria diferente...
Vou ter que desligar agora, fique bem...
Tá, eu sei que você não vai ficar bem, mas não te preocupa que mais cedo ou mais tarde os raios e trovões virarão chuva nova...
Um abraço!
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
sábado, 1 de agosto de 2009
Imprecisão
Elisa Lucinda
Resolvi procurar meios místicos, poéticos, químicos e fototerápicos para me libertar deste afeto insensato, deste apego frenético.
Já tentei de tudo.
O Rivotril faz dormir e sonhar e acordar pessimamente com o mesmo pensamento doloroso.
O pior é se sentir ridícula, é agir de forma medíocre, descumprindo preceitos fundamentais da tal etiqueta social e boa convivência.
O bom-senso vai por água abaixo, por loucura adentro.
Pergunto-me se não seria vaidade, se não seria ego ferido, defesa da rejeição sofrida.
Quiçá nem seja rejeição, mas o curso natural das coisas.
A resposta desconheço.
Se nós, que pela doutrina cristã somos a obra-prima do todo poderoso, temos um ciclo vital, pelo menos no quesito biológico, por que o amor não teria?
Guardo com carinho amores que tive. Amores que me mostraram a vida com outros olhos.
Quem teve bons amigos e bons amores viram a vida de vários modos e sentiram prazeres que jamais conheceria sozinho.
Amar é tão bom, entretanto o mundo é tão grande e impiedoso. E não mandamos nele, tampouco nos acontecimentos.
Quando somos criança achamos que o mundo é nosso, que ele nasceu pra nos prestigiar, que todos agem em função de nós, e que nossa vontade é decreto.
Então crescemos, e a fantasia se depara com a realidade concretamente orçamentária, cínica e financeira.
Percebemos que podemos fazer muito pouco, e que o único mundo que mudamos de fato é o nosso.
Morreremos e o universo continuará intacto, e talvez até as pessoas com as quais convivemos também. Exceto a poluição, o desmatamento e as decepções, coisas do bicho gente.
Nesse mundo o amor não tem liberdade, não tem curso livre e florido, pelo contrário, há todo tipo de pedra e provação.
Pela primeira vez tive que desistir de um grande amor pelo mundo, e não por falta de sentimento.
Nunca doeu tanto.
Fiz o que não devia, perdi o controle e o pudor.
Mas enfim, o escopo dessa prosa não era contar os fatos, e sim buscar a solução.
Como esquecer um grande amor?
Com outro?
Quando um sai, deixa tudo... Roupas, cartas, memórias... Não cabe outra visita, não há espaço nem para armar uma rede.
Se mesmo assim tentarmos, será mais uma ilusão, e o coração ficará ainda mais pesado, cheio de mágoas.
Então, cheguei a conclusão que só o São Tempo.
Neste instante é tarde, e o Tempo ainda está nublado, tudo dolorido, todo amor próprio desnorteado.
Mas os dias passam, e com eles vão as amarras e vem a tranquilidade. É assim que espero que assim seja.
Eu espero renascer.
Escrever consola, e um dia eu estarei lendo essa prosa como uma lembrança boa, e não como o pesar de agora.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
sexta-feira, 24 de julho de 2009
QuenTeresina
o sol,
o céu,
a tarde.
O tempo quente.
A terra quente.
A tarde quente.
O sol fervente.
O céu incandescente.
É a sina e é gostoso assim,
é a mais menina flor nordestina,
Ferventeresina que fascina o sol,
o céu,
e a tarde.
domingo, 19 de julho de 2009
segunda-feira, 13 de julho de 2009
S a u d a d...
domingo, 28 de junho de 2009
Tiro ao alvo
Escorrego minha cobiça em teu corpo moreno,
Bebo na fonte o sabor de teu condimento,
Um misto de absinto, desejo e alimento,
O ápice do contentamento!
Uma delícia!
Um cheiro forte de malícia,
A mão pesada me atiça,
O ato me enfeitiça,
Arrisca o taco,
Teu braço enlaça tua isca,
Mira meu segredo,
Fechamos os olhos e reinventamos a nós mesmos.
domingo, 14 de junho de 2009
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Baixa do Cururu
Meu coração de criança se inquietou, fiquei com aquele desespero do abandono.
Lembrei-me da data junina e que na Baixa do Cururu era tempo de muita festa. Depois de certa hora só as crianças mais velhas os pais deixavam ir. Eu era uma criança mais nova, e me deixaram a dormir, e caíram fora. Entretanto, acordei.
Menina do interior não tem frescura, e tem muita coragem. Não pensei nem uma vez, quanto mais duas.
Pulei o muro e desci a galeria até a casa “das Capetas”, o frevo tava animado, as canjicas, os aluás e os manuês em fartura. Estava descalça e de pijama, se minha mãe me visse daquele jeito não me deixaria ficar na festa, nem ir a casa de tia Zilene no outro dia.
Voltei pra casa, não consegui pular o muro de volta e adormeci na porta.
Quando aqueles que me abandonaram, já alterados pela folia, chegaram, nem me perceberam.
Eu acordei com as gargalhadas, e corri pra dentro sem que me vissem.
Aquele dia ficou guardado em minha memória de infância, aquelas cores da noite, aquele cheiro proibido, aquela alegria de gente grande que eu não entendia...
Ah, que lembrança boa, que saudade da Baixa do Cururu!
domingo, 7 de junho de 2009
creio que sábio é aquele que se ilude,
os olhos que se desnudam para as ditas verdades estão fadados a arder ao sol da razão.
Prefiro a sombra fresca da fantasia, da invenção de mundos, das cores da poesia.
Se aquele rapaz me interessa me é por direito ter a recíproca como verdadeira, mesmo que só para mim, mesmo que concretamente falsa.
Quem foi que disse que acariciar o próprio ego é pecado?
Desde que não atinja alguém não vejo problema nenhum.
Quem assistiu ou leu "O Segredo" quiçá pense que falo da força do pensamento positivo, não, falo dos diversos sentidos e possibilidade que um fato pode ter, posso muito bem me filiar ao caminho que me favorece, apesar de não ser o mais virtuoso assim, por que me martirizar com pré-ocupações?
Estou na fase dessa dissimulação, estou pegando gosto pelas mil faces e pelas meias verdades...
O que seria de nós sem as mentiras? Crua e cinzenta realidade de pessoas sérias...
Estou cansada de tais verdades que na verdade são demagogias. Prefiro acreditar no meu lero-lero.
Se mentir te faz feliz e não entristece a ninguém, pode seguir, que é o errado que está certo.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
e o Sertão vai Mar virando...
Parece que foi tudo culpa da malversação de recursos,
o material da construção deve ter sido o mais barato,
para que houvessem reservas para a eleição.
E a parte mais pobre da população fica sem amparo,
A barragem rompeu e a enxurrada levou as gentes,
Um “tsunami” como disse o governador,
levou pé-de-pau e a casa de tijolo,
levou o que já era tão pouco,
O que será desse povo?
O número de mortos é falsa perspectiva,
A angústia do sertanejo
[frente a onda gigante]
não entra na estatística.
(Fonte da Foto : www.gostei.abril.com.br/frame/index/fotos-da-barragem-algodoes-que-estourou-em-cocal-pi )
domingo, 24 de maio de 2009
Os vícios, os amores mal resolvidos,
o perigo do anticoncepcional com o fumo,
o abismo do Querer com a Saudade,
a alta velocidade e o sinal fechado.
Estou me consumindo,
e acho que já é tarde,
e hoje ainda é domingo!
Poxa, mas tenho tão tenra idade!
Consumindo...
minha alma arde,
e assim vou sumind...
sábado, 23 de maio de 2009
Dona Maria
calça as chinelas,
lava a roupa e põe o feijão na panela,
varre a sala e deixa tudo pronto,
o sol surge na janela, já tomara banho,
e já estava no ponto de ir a parada,
uns tantos minutos e lá vem o ônibus descendo a ladeira do Planalto,
6:00h da manhã e entra gente e entra gente e entra gente, até o centro ninguém desce.
Lá se vão 50 minutos muito cansados, corpo suado e papo furado.
Hora de bater o ponto,
fazer o café e servir,
e sorrir e dizer bom dia.
8h da manhã pergunto se já tá pronto,
Ela me abre o sorriso e me estende uma xícara.
sábado, 16 de maio de 2009
Madrugada insone... insana.
O silêncio da madrugada invade a casa, pela janela.
Suspiro devagar quase em devaneio,
teria sido o álcool, a madrugada imponente ou a crise passional,
poderia ser qualquer coisa que causa a insanidade de agora,
Amanhecerá em breve, o sol invadirá a casa sem silêncio e com a mesma crise passional,
uma hora, pela manhã ou quiçá a tarde ou só próxima semana, ou próximo mês mesmo, ou nem próximo ano tudo mudará.
Devagar vou vagando pelo tempo, nesse instante,nessa noite que se extende até a grimpa dos galos.
terça-feira, 12 de maio de 2009
domingo, 3 de maio de 2009
Devaneios de Domingo II
**********
Devaneios de Domingo I
acordei apaixonada e tomei um sonífero.
Acho que vou viver disso.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
A fome na seca e na inundação.

terça-feira, 28 de abril de 2009
Conformar ou reformar.

quarta-feira, 22 de abril de 2009
sábado, 18 de abril de 2009
Recado de D. Saudade.
ao perceber, convidei que entrasse,
e ofereci café com bolachas,
Ela disse logo que não se estenderia,
que de longe trazia um recado,
que assim dizia:
"Não faça de tuas lembranças o reino de tua felicidade,
se o presente não for virtuoso,
não será comigo que terás tranquilidade!
Com afeto e zelo,
D. Saudade."
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Sala de Espera
Ainda restavam 6 minutos.
O tempo é bicho sorrateiro, dono de si, só faz o que quer.
Pronto, nem mais um segundo, era hora do rapaz sair do expediente,
Era hora de ela ficar presente a porta e o ver passar,
Tal qual fazia diariamente,
Engraçado, ele nunca se atrasava, tampouco deixava de dá-lhe a graça da surpresa,
Parecia a primeira vez, parecia a eternidade, era de tamanha riqueza!
O bicho tempo também faz suas caridades,
Por uns instantes se congela para que contemplemos a beleza,
Enquanto o rapaz passa, o relógio pára e tudo se inebria de graça e sutileza.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Qual a cor do Angico?

o leão já está a solta,
que sempre esteve no mesmo lugar,
terça-feira, 24 de março de 2009
segunda-feira, 16 de março de 2009
Ser'tão belo, verão vira inverno.

Escorrem as águas do céu,
a terra do corisco faz jus ao seu substantivo mais adjetivo,
Dá vontade de ficar na rede, balançando os pensamentos, repensando os sentidos e os sentimentos...
O tempo bonito a chover,
aqui no Nordeste é festa, é fartura, é fantasia,
é dia de ficar em casa e saborear a noite,
ou sair por ai, namorar na praça,
no coreto do 5º destrito,
é dia bom a chover,
é gente alegre de se ver,
é dia bonito.
é o inverno que se chama aqui,
é formuzura que acaricia os olhos,
é cheiro alegre de meninice,
é sabor de colo,
é poema de Clarisse,
é cantiga de ninar,
Ah, como é fascinante quando o sertão vira mar
domingo, 15 de março de 2009
quinta-feira, 12 de março de 2009
Renascimento
Claro que sim, malgrado todas essas noite insones, todas essas lágrimas roladas... talvez hoje eu não tenha assim tantos motivos, já que perdi meu alter ego e minha própria determinação anda fugindo de mim. Auto-estima? O amor veio e comeu.
Mas precisamos de motivos, eles são a mola que nos impulsiona a quaisquer.
O motivo maior sou eu estar aqui, se cheguei nesse instante, então há motivos a comemorar.
Antes morria de vergonha quando alguém me dava os parabéns, achava tão blasé e comercial essa de aniversário... Mas depois que o tempo me chegou mais manso, não vejo mais assim.
Assim como nasci nessa data, nela tenho por direito renascer, refazer e redefinir meus rumos.
Jogar fora as idéias vãs, os amores furtivos, as mágoas traiçoeiras, o medo da morte, a impaciência com o outro... Quiçá hoje eu não refine minha compreensão!
Também me é por direito resgatar a tranqüilidade e as cores da infância, a inquietação do primeiro beijo, o cheiro de chuva, o banho de bica... As coisas simples que fazem a alma florir e a pressa ter calma.
Lembrei da oração da serenidade, creio que ela consolida uma das poucas verdades, e se bem entendida nos é de grande valia, então ai vai:
"Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras".
Que tenhamos serenidade, coragem e sabedoria, no mais é só festejar o nosso dia!
AMÉM!
segunda-feira, 9 de março de 2009
Avante.
Em todas as outras nos é imprescindível abrir os olhos, e saber usar os dedos.
Não adianta o desejo sem a luta e sem o sentido,
Arregace as mangas, que a sorte contará contigo!
Sim, Chico estava certo "Espere sentado, senão você se cansa. Está provado, quem espera nunca alcança."
quinta-feira, 5 de março de 2009
Tempo: sem freio nem aceler'ação.
que tu te findas, mas o mundo não!
Se o hoje pudesse ser amanhã, o amanhã ontem, e ontem hoje, não haveria essa de tempo.
E contra o tempo não há freio, nem aceleração.
Pra que ter medo da perda se a maior delas nos é tão certeza?!
Acalma-te, deixa a alma pousar no corpo, e o corpo há de seguir as rotas do mundo, sempre no mesmo espaço de tempo.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Regime Fechado

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
não pude decifrar bem o movimentos dos seus lábios, mas pela contração do olhar agressivo, percebi que não se tratava de nenhuma poesia.
Não os conhecia. Interessei-me pela reação da moça e esperei.
Ela poderia se despir em lágrimas, já que o coração estaria sendo agredido.
Ela podia retrucar com palavras quão ásperas aquele insulto desmedido.
Esperei.
A moça fitou serenamente os olhos do rapaz, retirou alguns trocados da carteira, pôs no balcão, e simplesmente se retirou.
Fiquei boquiaberta, pensava eu que assistiria um drama ou um terror, entretanto foi suspense.
Foi então que compreendi, a amargura do rapaz era dele, e não da moça. Não poderia ela sofrer reações de ações que eram dele. Sofreria com suas mágoas, alegraria-se com sua bonança, repito com as SUAS, não as DELE.
A moça não dependia de ninguém pra ser feliz, suas glórias e rancores só estavam vinculados a seus atos, assim é bem mais fácil.
Descompliquemos!
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Do lado de lá
o dia estava demasiadamente quente,
o isopor velho demais,
E ele?
Nem sabia mais.
Não sabia que dia era aquele.
Que dia seria hoje,
não comprava queijo do reino,
não andava em shoppings,
não colecionava mangar,
vendia picolés em dias quentes,
tinha duas irmãs que não conhecia,
tinha medo de altura,
e não suportava amarelo, por isso perdia a freguesia dos apreciadores de maracujá, manga, e cajá.
Não precisava de muito, não desejava muito, não queria demais.
Não tinha sonhos de riqueza, não lia jornais, não tinha medo de assalto.
Não tinha roupa nova, não tinha aparelho nos dentes, nem vivia em sobressalto.
Não tinha muitas vaidades, temia a Deus, mas não se impressionava com as tais verdades.
Conhecia os segredos do mundo, não perdia uma sexta no trevo, e nem passava vontade.
Que ainda haveria de querer aquele homem de meia idade?
Há outras espécies de vida na cidade.
Observe.
Sirva-se enquanto eles não derretem.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
- Deus te dê Felicidade!
Minha mãe desejou-me que meus caminhos fossem serenos, que minha voz fosse mansa, que minha pa[z]ciência não se findasse.
Fez prece, liturgia, e caridade, para que nesta vida nada me faltasse.
Meu pai alertou-me das diversas nuanças deste rio, das imprevisíveis forças do homem, dos amargos delírios das ruas.
Fez poupança, plano de saúde, e pagou faculdade para que nada nessa vida para mim se calasse.
Será que as mãos dos pais guiam nossa realidade?
Seriam infrutíferos os conselhos, os ensinos, as ditas verdades?
Quando os dias se passam, as crias ganham o mundo, e afloram as vaidades.
De muito me valeram as horas de portas trancadas, os olhos inquisitivos, as perguntas encharcadas de sinceridade. O peito se agitava, a alma se tremia, as mãos não escondiam as traquinagens.
Cá estou, já sobrevivi nuanças, forças, delírios.
Nunca fui tão serena, nem minha voz tão mansa, nem tive o dom da pa[z]ciência.
Sem o ontem, não seria hoje. Sem os arranhões não teria vivência.
Que os filhos saibam reconhecer qual o maior legado de suas existências!
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
A ti.
Sabia eu que era tudo questão de temperamento, digo, tempo.
Tormento! Parece ser mesmo esta tormenta, esse clarão, que chove e fecunda o poema. Nem todos eles são tristes, nem filhos do caos, mas só estes têm a solidez do trovão, e a fúria do vendaval.
Ai está (vai) o que há em mim:
Tua ausência muda me é um cadeado
Machuca o coração magoado.
Só me diz o que se passa,
só me diz em que estrada minha alma ficou.
Creio que já é tarde pra sentir pena de mim.
Nada mais pedante.
Mas veja meu semblante, não vês que estou quase no fim?
É muita poesia, drama, e saudade.
É pouco dia-dia, colo e realidade.
Quero mais, quero a ti.
Entre'tanto não tenho esta felicidade.
Para quem ama a solidão é a mais dolorosa enfermidade.

