Na sombra do cajueiro.

No balanço da rede o tempo descansa.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Tudo tá tão descartável,
os livros de Direito se tornam ultrapassados,
os discos de Bossa se tornam obsoletos,
o copo de plástico de um gole vai ao lixo,
o abraço é desfeito.

Tá um desperdício viver!

Creio que só a um jeito,
reciclar o que não pode ser perder.

Ouça: lembre-se de outrora,
a solidão nos perde e o amor nos transforma.

domingo, 6 de dezembro de 2009

O dia passa,
tudo de repente acontece,
a todo instante tudo muda,
mas para que a gente também mude,
não se pode emudecer.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Ao meu Amor

Não quero mais te falar das mesmas lamurias,
nem quero fazer a mesma reclamação,
se neste instante se pronuncia a separação,
vou sair pelas ruas,
tentando me acostumar com a solidão.

Se te disse até logo,
eu, sinceramente, não queria ir,
foi uma grande simulação,
mas guarde um beijo meu debaixo do teu travesseiro,
e guarde os teus segredos para a hora da reconciliação,
pois quando se vai sem que se queira,
o tempo assenta a poeira e a sofreguidão,
e o gosto do beijo na boca não finda,
já será mulher a moça que tu deixastes menina,
amadurecida á tua paixão.




sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Interrogação

No instante em que um vestido rosa é notícia de capa de jornal,
e uma instituição de ensino superior vira escárnio,
é tempo de rever os conceitos de uma nação,
e compreender que está tudo errado.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sentido?

Está dolorido meu coração,
e para esse mal não há comprido,
não há solução viável,
e nem sentido.

Não há preço para que possa ser comprado,
e satisfazer o desejo reprimido.

Essa é a tal da Saudade,
esse sentir de ausência, esse meio sorriso.
Essa coisa inacabada, essa impressão de coisa inacabada...
é como se o espelho fosse um precipício,
é como se faltasse um pedaço da gente.

O que fazer com essa Saudade que me arde tanto o corpo quanto a mente?
Ai, como me arrasa!
Só o tempo pode aquietá-la...
Uma hora, eu sei, eu sei que passa!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Mando notícias

Sob o mundo de cá, o mesmo céu que o daí.
O sol sempre estoteante.
A terra ainda mais fervente.
O curso das horas seguindo o ciclo quente.

Nada de tão surpreendente que te interesse,
sem notícias suas meu dia anoitece.
Sem estrelas.

sábado, 10 de outubro de 2009

As redes repousando sob a tarde preguiçosa,
a vida cansando de tanto sossego,
o batecum alegre em meu peito,
sorrir o meu coração.

As horas suspirando,
e aquela tranquilidade boa de quando não se tem nenhuma pré-ocupação.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

a rotina me cega,
a retina me leva,
as imagens do mundo a todos é a mesma e nos é externa,
mas cada um de nós de um modo as enxerga.

A retina mira a rotina,
pegue o pincel e a tinta,
ao invés de atirar pedras.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Os caminhos passaram a ser apenas meios de se ir de um lugar a outro, a única coisa que nos detém é a sinalização.
Ninguém presta mais atenção aos Pau D'arcos que florecem agora em setembro, ainda bem que até o fim do mês há tempo.
Preste atenção na Ferventereina, e nas tantas outras terras do Serrado, e deixe aqui o seu depoimento.

ok?

Uma dica:

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O tempo corrido cumpre seu curso,
o dia e sua sina das 24h,
a volta ao sol,
a fotografia de cada hora,
as cores da aurora,
o calor do meio-dia,
o vagar da tarde,
o som dos canários no lusco-fusco.
A noite e sua calada imensidão.

Quanta doçura na claridade, na penumbra e na escuridão!

A realidade não é assim tão poética,
salas fechadas, cortinas nas janelas,
o ar-condicionado inibi o som das ruas,
que nem é mais tão agradável,
o tempo ágil em seu percurso,
aprisiona-se em afazeres inadiáveis,
o dia tão curto,
e com tão pouca tranquilidade,
com tanta pre'ocupação com as horas,
que ao invés de hoje,
a gente espera viver em outrora.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Tenho sede de tua saliva me escorrendo pelo corpo,
tenho o gosto do teu suor moreno no céu da boca.

Saudade louca!

Vem, nego, me inundar de sentimento,
matar esta vontade, arder este sossego,
vem depressa, me nutrir com teu alimento,
e licenciar este apego.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Crime Passional

Não há excludente de culpabilidade, nem de ilicitude,
nesse tribunal onde o amor nos deixa encarcerado,
temos a lua como testemunha,
o coração como jurado,
e você, meu bem, é o único condenado.

Sentença Transitada em Julgado.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O que é que eu faço, meu Deus, para arrancar de mim esse amor que me arrasa?
Como dar a volta por cima sem perder a ternura e a graça?
Que faço para aliviar essa angústia que me devora?

Lágrimas comprimidas em embalagem tarja preta vão rolando pela face,
ver-te com outra a andar pela calçada
enquanto meus olhos turvam em uma lânguida dor.


É de pesar este instante,
é com uma melancolia profunda que vos sussurro esses versos,
como um suspiro derradeiro de quem não consegue encontrar a paz,
jaz em outrora a vivacidade de quem desconhecia o desamor e suas amarras.

A noite é impiedosa e com ela vêm a saudade e a perda,
tudo chega quando o sol se baixa.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Sim, era tudo mentira....
não me diga que você acreditou!
Quantos anos você tem?
Com essa idade e tão tola?!
Querida, eles mentem,
não digo todos, mas muitos.
Mentem pra uma e pra outra, e as duas caem...
Geralmente é assim.
A verdade é árdua, dolorosa,
só quem ama mesmo pode com ela,
quem não tem esse sentimento todo cai no vício da mentira...
E o que é pior, convencem mulheres como você.
Sim, não se desespere, amiga, li em algum lugar que mulheres inteligentes muitas vezes tinham escolhas insensatas...
Eu sei, eu sei, que a paixão vive de conversa com a insensatez... Mas você não precisava ir tão longe...
Você bem sabe que quanto maior o penhasco, maior a queda...
Tá bem, amiga, eu sei que você pensou que desse vez seria diferente...
Vou ter que desligar agora, fique bem...
Tá, eu sei que você não vai ficar bem, mas não te preocupa que mais cedo ou mais tarde os raios e trovões virarão chuva nova...
Um abraço!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Não viva o dia de hoje como se fosse o último,
aprendi isso ainda agora,
viva cada instante como o primeiro,
lembrando-se que há um mundo afora!
Viva com a leveza,
na tranquilidade de saber que sempre haverá tempo,
e que com a pressa não há beleza,
é de'vagar que vamos percebendo...

sábado, 1 de agosto de 2009

Imprecisão

"A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida Que eu já tô ficando craque em ressurreição."

Elisa Lucinda


Resolvi procurar meios místicos, poéticos, químicos e fototerápicos para me libertar deste afeto insensato, deste apego frenético.
Já tentei de tudo.
O Rivotril faz dormir e sonhar e acordar pessimamente com o mesmo pensamento doloroso.
O pior é se sentir ridícula, é agir de forma medíocre, descumprindo preceitos fundamentais da tal etiqueta social e boa convivência.
O bom-senso vai por água abaixo, por loucura adentro.
Pergunto-me se não seria vaidade, se não seria ego ferido, defesa da rejeição sofrida.
Quiçá nem seja rejeição, mas o curso natural das coisas.
A resposta desconheço.

Se nós, que pela doutrina cristã somos a obra-prima do todo poderoso, temos um ciclo vital, pelo menos no quesito biológico, por que o amor não teria?
Guardo com carinho amores que tive. Amores que me mostraram a vida com outros olhos.
Quem teve bons amigos e bons amores viram a vida de vários modos e sentiram prazeres que jamais conheceria sozinho.
Amar é tão bom, entretanto o mundo é tão grande e impiedoso. E não mandamos nele, tampouco nos acontecimentos.
Quando somos criança achamos que o mundo é nosso, que ele nasceu pra nos prestigiar, que todos agem em função de nós, e que nossa vontade é decreto.
Então crescemos, e a fantasia se depara com a realidade concretamente orçamentária, cínica e financeira.

Percebemos que podemos fazer muito pouco, e que o único mundo que mudamos de fato é o nosso.
Morreremos e o universo continuará intacto, e talvez até as pessoas com as quais convivemos também. Exceto a poluição, o desmatamento e as decepções, coisas do bicho gente.
Nesse mundo o amor não tem liberdade, não tem curso livre e florido, pelo contrário, há todo tipo de pedra e provação.
Pela primeira vez tive que desistir de um grande amor pelo mundo, e não por falta de sentimento.
Nunca doeu tanto.
Fiz o que não devia, perdi o controle e o pudor.
Mas enfim, o escopo dessa prosa não era contar os fatos, e sim buscar a solução.
Como esquecer um grande amor?
Com outro?
Quando um sai, deixa tudo... Roupas, cartas, memórias... Não cabe outra visita, não há espaço nem para armar uma rede.
Se mesmo assim tentarmos, será mais uma ilusão, e o coração ficará ainda mais pesado, cheio de mágoas.
Então, cheguei a conclusão que só o São Tempo.
Neste instante é tarde, e o Tempo ainda está nublado, tudo dolorido, todo amor próprio desnorteado.
Mas os dias passam, e com eles vão as amarras e vem a tranquilidade. É assim que espero que assim seja.
Eu espero renascer.
Escrever consola, e um dia eu estarei lendo essa prosa como uma lembrança boa, e não como o pesar de agora.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O pensamento tenta escapar,
mas não tem jeito,
quem falou em livre arbítrio,
não conheceu a astúcia do Desejo.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

QuenTeresina



o sol,
o céu,
a tarde.


O tempo quente.
A terra quente.
A tarde quente.
O sol fervente.
O céu incandescente.


É a sina e é gostoso assim,
é a mais menina flor nordestina,
Ferventeresina que fascina o sol,
o céu,
e a tarde.

Que a tudo acalenta, afaga e arde!

domingo, 19 de julho de 2009

O gato no lixo procura seu jantar,
só há chips, baterias velhas, cabos usados e um celular,
seu paladar não é dos mais requintados,
mas nem tudo ele pode mastigar,
faminto o gato pensa na vida,
e se questiona onde o homem ainda quer chegar,
o gato pobre de rua não tem dono rico,
e ração não pode comprar.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

S a u d a d...

Quis escrever uns versos,
essa angústia de poeta com a palavra presa na garganta,
o amor doído, a Saudade que me tira os sentidos, a boca seca, o meio sorriso...
tudo querendo se aquietar nas folhas entre as linhas, sossegadinhas, como se as coisas fossem tão fáceis de resolver como os versos...
Se bem que os versos são quase tão teimosos quanta a Saudade...
Acontece, entretanto, que os versos são meus e faço com eles o que quero, se eles persistirem muito em não me agradar, eu os deleto, e pronto, fim da inquietação.
Com a Saudade não... Ela não me pertence, não posso dela dispor, não posso amassá-la e jogá-la na lixeira... Ela me persegue, me maltrata, arrasa comigo e com toda minha poesia...
Ah se meus versos dessem jeito nessa Saudade traquina, ah se eles pudessem lhe ensinar a tal disciplina, e deixá-la lá no canto de castigo, trazendo-me de volta meu poema e meu sorriso.

domingo, 28 de junho de 2009

Tiro ao alvo

Aquele teu gosto sereno na língua...
Escorrego minha cobiça em teu corpo moreno,
Bebo na fonte o sabor de teu condimento,
Um misto de absinto, desejo e alimento,
O ápice do contentamento!
Uma delícia!
Um cheiro forte de malícia,
A mão pesada me atiça,
O ato me enfeitiça,
Arrisca o taco,
Teu braço enlaça tua isca,
Mira meu segredo,
Fechamos os olhos e reinventamos a nós mesmos.

domingo, 14 de junho de 2009

Se você não acender a luz, o quarto continuará no escuro.
Eu queria conseguir escrever versos claros que nos encorajassem.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Baixa do Cururu

Acordei. Na época para consagrar a “intimidade” de meus pais, dormia com eles. Para minha surpresa a casa estava silenciosa, malgrado a insônia de meu pai que não apagava as luzes da sala, tampouco a TV do quarto. Mas naquela noite, quiçá madrugada, estava tudo escuro e sem nenhuma vinheta de jornal.
Meu coração de criança se inquietou, fiquei com aquele desespero do abandono.
Lembrei-me da data junina e que na Baixa do Cururu era tempo de muita festa. Depois de certa hora só as crianças mais velhas os pais deixavam ir. Eu era uma criança mais nova, e me deixaram a dormir, e caíram fora. Entretanto, acordei.
Menina do interior não tem frescura, e tem muita coragem. Não pensei nem uma vez, quanto mais duas.
Pulei o muro e desci a galeria até a casa “das Capetas”, o frevo tava animado, as canjicas, os aluás e os manuês em fartura. Estava descalça e de pijama, se minha mãe me visse daquele jeito não me deixaria ficar na festa, nem ir a casa de tia Zilene no outro dia.
Voltei pra casa, não consegui pular o muro de volta e adormeci na porta.
Quando aqueles que me abandonaram, já alterados pela folia, chegaram, nem me perceberam.
Eu acordei com as gargalhadas, e corri pra dentro sem que me vissem.
Aquele dia ficou guardado em minha memória de infância, aquelas cores da noite, aquele cheiro proibido, aquela alegria de gente grande que eu não entendia...
Ah, que lembrança boa, que saudade da Baixa do Cururu!

domingo, 7 de junho de 2009

Gosto de estar comigo e mentir pra mim,
creio que sábio é aquele que se ilude,
os olhos que se desnudam para as ditas verdades estão fadados a arder ao sol da razão.
Prefiro a sombra fresca da fantasia, da invenção de mundos, das cores da poesia.
Se aquele rapaz me interessa me é por direito ter a recíproca como verdadeira, mesmo que só para mim, mesmo que concretamente falsa.
Quem foi que disse que acariciar o próprio ego é pecado?
Desde que não atinja alguém não vejo problema nenhum.
Quem assistiu ou leu "O Segredo" quiçá pense que falo da força do pensamento positivo, não, falo dos diversos sentidos e possibilidade que um fato pode ter, posso muito bem me filiar ao caminho que me favorece, apesar de não ser o mais virtuoso assim, por que me martirizar com pré-ocupações?
Estou na fase dessa dissimulação, estou pegando gosto pelas mil faces e pelas meias verdades...
O que seria de nós sem as mentiras? Crua e cinzenta realidade de pessoas sérias...
Estou cansada de tais verdades que na verdade são demagogias. Prefiro acreditar no meu lero-lero.
Se mentir te faz feliz e não entristece a ninguém, pode seguir, que é o errado que está certo.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

e o Sertão vai Mar virando...


Parece que foi tudo culpa da malversação de recursos,

o material da construção deve ter sido o mais barato,

para que houvessem reservas para a eleição.


E a parte mais pobre da população fica sem amparo,

A barragem rompeu e a enxurrada levou as gentes,

Um “tsunami” como disse o governador,

levou pé-de-pau e a casa de tijolo,

levou o que já era tão pouco,

O que será desse povo?


O número de mortos é falsa perspectiva,

A angústia do sertanejo

[frente a onda gigante]

não entra na estatística.




(Fonte da Foto : www.gostei.abril.com.br/frame/index/fotos-da-barragem-algodoes-que-estourou-em-cocal-pi )

domingo, 24 de maio de 2009

Estou me consumindo, muito.

Os vícios, os amores mal resolvidos,
o perigo do anticoncepcional com o fumo,
o abismo do Querer com a Saudade,
a alta velocidade e o sinal fechado.

Estou me consumindo,
e acho que já é tarde,
e hoje ainda é domingo!
Poxa, mas tenho tão tenra idade!

Consumindo...
minha alma arde,
e assim vou sumind...

sábado, 23 de maio de 2009

Dona Maria

As quatro da manhã o corpo acostumado por si só desperta,
calça as chinelas,
lava a roupa e põe o feijão na panela,
varre a sala e deixa tudo pronto,
o sol surge na janela, já tomara banho,
e já estava no ponto de ir a parada,
uns tantos minutos e lá vem o ônibus descendo a ladeira do Planalto,
6:00h da manhã e entra gente e entra gente e entra gente, até o centro ninguém desce.
Lá se vão 50 minutos muito cansados, corpo suado e papo furado.
Hora de bater o ponto,
fazer o café e servir,
e sorrir e dizer bom dia.
8h da manhã pergunto se já tá pronto,
Ela me abre o sorriso e me estende uma xícara.

sábado, 16 de maio de 2009

Madrugada insone... insana.


O silêncio da madrugada invade a casa, pela janela.
Suspiro devagar quase em devaneio,
teria sido o álcool, a madrugada imponente ou a crise passional,
poderia ser qualquer coisa que causa a insanidade de agora,
Amanhecerá em breve, o sol invadirá a casa sem silêncio e com a mesma crise passional,
uma hora, pela manhã ou quiçá a tarde ou só próxima semana, ou próximo mês mesmo, ou nem próximo ano tudo mudará.

Devagar vou vagando pelo tempo, nesse instante,nessa noite que se extende até a grimpa dos galos.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Quero alguém que venha sem que eu peça,
que me ame com prioridade,
que esteja na cumplicidade,
a vista e na proximidade,
que ao ausentar-se em teu peito me guarde,
e que volte sempre antes da saudade.

domingo, 3 de maio de 2009

Devaneios de Domingo II

ei,


deixe a vontade ordenar,


faz o que ela dita,


eu sei que você quer, não resista, arrisque, senão não petisca.


e me pegue, apegue, aperte e grite!


Faz-me suspirar, de um compasso a outro se agite!


De um laço a outro caprixe e diga que sim,


beije, suspire e te entregue pra mim.



Vem, não demora,


vamos reinventar o pecado da criação,


vem e vem agora, vamos pro'criar uma nação!



**********

Devaneios de Domingo I

Sonhei com o Desconhecido,
acordei apaixonada e tomei um sonífero.

Acho que vou viver disso.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A fome na seca e na inundação.


A casa caiu,

a chuva escorreu,

o riu subiu,

e a gente pobre, meu Deus,

está sem um vil,

sem esperança,

sem benegripe, sem feijão nem doril.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Conformar ou reformar.


o difícil na vida não são as pedras no caminho,

e sim as coisas que não estão ao nosso alcance,

que não importa a vontade, nem a luta, nem o reclame.


Mãos atadas,

um triste semblante,

a poesia calada na prateleira da estante,

o amor contido querendo ir a diante,

e não há o que fazer, nem ontem, nem amanhã, tampouco nesse instante.


Deixa o tempo passar,

enquanto isso, que alguém me traga um calmante!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Res'pire a manhã que desperta e a serenidade do velho que vende picocas,
ex'pire as cansativas esperas, as noites mal dormidas e as longas tristes horas,
ins'pire as telas do artista que vende sua arte na porta do banco Real.

e por fim, pire.

sábado, 18 de abril de 2009

Recado de D. Saudade.

A Poesia espiou-me pelo trinco da porta,
ao perceber, convidei que entrasse,
e ofereci café com bolachas,
Ela disse logo que não se estenderia,
que de longe trazia um recado,
que assim dizia:

"Não faça de tuas lembranças o reino de tua felicidade,
se o presente não for virtuoso,
não será comigo que terás tranquilidade!

Com afeto e zelo,

D. Saudade."

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Sala de Espera

Fitou o relógio,
Ainda restavam 6 minutos.
O tempo é bicho sorrateiro, dono de si, só faz o que quer.
Pronto, nem mais um segundo, era hora do rapaz sair do expediente,
Era hora de ela ficar presente a porta e o ver passar,
Tal qual fazia diariamente,
Engraçado, ele nunca se atrasava, tampouco deixava de dá-lhe a graça da surpresa,
Parecia a primeira vez, parecia a eternidade, era de tamanha riqueza!
O bicho tempo também faz suas caridades,
Por uns instantes se congela para que contemplemos a beleza,
Enquanto o rapaz passa, o relógio pára e tudo se inebria de graça e sutileza.









quarta-feira, 25 de março de 2009

Qual a cor do Angico?


O despertador anuncia a labuta,
o sono passou tão rápido,
e já se inicia outra luta,
o leão já está a solta,
depois dizem que a não vida é louca!


No meio do caminho há um Angico Branco,
que sempre esteve no mesmo lugar,
mas não havia sido percebido,
tantas vezes a correria não deixa que o olhar pouse,
nos tira o que há de mais bonito,
Ouse e se deixe contemplar.

terça-feira, 24 de março de 2009

Sabe, já vi de quase tudo,
já sofri de quase de tudo,
já me perdi em quase tudo,
mas não aprendo.

Já vi essa cena antes e por tantas vezes ainda continuarei vendo.
Parece-me a mesma falta de ar,
o mesmo peito doendo,
a mesma tontura e mal estar.
malgrado os desamores, que eu não desista de amar.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Ser'tão belo, verão vira inverno.






Escorrem as águas do céu,
a terra do corisco faz jus ao seu substantivo mais adjetivo,



Dá vontade de ficar na rede, balançando os pensamentos, repensando os sentidos e os sentimentos...


O tempo bonito a chover,


aqui no Nordeste é festa, é fartura, é fantasia,


é dia de ficar em casa e saborear a noite,


ou sair por ai, namorar na praça,


no coreto do 5º destrito,


é dia bom a chover,


é gente alegre de se ver,


é dia bonito.





é o inverno que se chama aqui,


é formuzura que acaricia os olhos,


é cheiro alegre de meninice,


é sabor de colo,


é poema de Clarisse,


é cantiga de ninar,





Ah, como é fascinante quando o sertão vira mar
Ufa!

Acordei sem pressa e sem pré-ocupações,
tudo como deveria estar,
ao menos hoje, nada de insatisfações.

domingo, 15 de março de 2009

Quando a escuridão dos olhos cerrados é sentida,
revalam-se as coisas perdidas que o coração guarda,
lembranças do passado, noites mal dormidas,
ouve-se o tempo e o presságio,
reinventam-se as facetas da vida.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Renascimento

Parece que todo mundo fica assim meio emotivo no dia do seu aniversário, comigo não seria diferente... afinal hoje faz mais um ano que eu estreei nesse mundo, haveria motivos a comemorar?


Claro que sim, malgrado todas essas noite insones, todas essas lágrimas roladas... talvez hoje eu não tenha assim tantos motivos, já que perdi meu alter ego e minha própria determinação anda fugindo de mim. Auto-estima? O amor veio e comeu.

Mas precisamos de motivos, eles são a mola que nos impulsiona a quaisquer.

O motivo maior sou eu estar aqui, se cheguei nesse instante, então há motivos a comemorar.

Antes morria de vergonha quando alguém me dava os parabéns, achava tão blasé e comercial essa de aniversário... Mas depois que o tempo me chegou mais manso, não vejo mais assim.
Assim como nasci nessa data, nela tenho por direito renascer, refazer e redefinir meus rumos.
Jogar fora as idéias vãs, os amores furtivos, as mágoas traiçoeiras, o medo da morte, a impaciência com o outro... Quiçá hoje eu não refine minha compreensão!

Também me é por direito resgatar a tranqüilidade e as cores da infância, a inquietação do primeiro beijo, o cheiro de chuva, o banho de bica... As coisas simples que fazem a alma florir e a pressa ter calma.

Lembrei da oração da serenidade, creio que ela consolida uma das poucas verdades, e se bem entendida nos é de grande valia, então ai vai:

"Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras".

Que tenhamos serenidade, coragem e sabedoria, no mais é só festejar o nosso dia!

AMÉM!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Avante.

Há horas que só nos resta fechar os olhos e cruzar os dedos.
Em todas as outras nos é imprescindível abrir os olhos, e saber usar os dedos.

Não adianta o desejo sem a luta e sem o sentido,
Arregace as mangas, que a sorte contará contigo!




Sim, Chico estava certo "Espere sentado, senão você se cansa. Está provado, quem espera nunca alcança."

quinta-feira, 5 de março de 2009

Tempo: sem freio nem aceler'ação.

Acalma-te, menina,
que tu te findas, mas o mundo não!




Se o hoje pudesse ser amanhã, o amanhã ontem, e ontem hoje, não haveria essa de tempo.

E contra o tempo não há freio, nem aceleração.

Pra que ter medo da perda se a maior delas nos é tão certeza?!

Acalma-te, deixa a alma pousar no corpo, e o corpo há de seguir as rotas do mundo, sempre no mesmo espaço de tempo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Regime Fechado






Atravesso dias longos,


o Tempo me caleja os olhos,


e o Homem os cega.




Caí na tentação de me doar ao outro, a gente corre o risco de não nos ter mais. Corre o risco de perder a vontade nas outras coisas.


É sabor na boca de quero-mais, amor é vício.


Vício que os trocados não compram, vício que não tem na banca de jornal.


A dependência dói.


Dói ainda mais a abstinência.




Hoje o dia me pesa os ombros,


e minhas mãos estão atadas, teria eu como me desprender?




Olho ao espelho e me digo que não quero mais:


-Não quero mais o vício que não se pode ter, só quero depender de mim! Sou eu o sujeito do meu verbo viver!




Essa não é a primeira tentativa, mas nunca tinha mordido a mordaça, cansei de ter pena de mim, cansei de ser tão boa assim.


Que se rompam as grades, que a ventura renasça!


-Amém!




quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O rapaz do balcão dirigiu-lhe uma grosseria,
não pude decifrar bem o movimentos dos seus lábios, mas pela contração do olhar agressivo, percebi que não se tratava de nenhuma poesia.

Não os conhecia. Interessei-me pela reação da moça e esperei.

Ela poderia se despir em lágrimas, já que o coração estaria sendo agredido.
Ela podia retrucar com palavras quão ásperas aquele insulto desmedido.

Esperei.

A moça fitou serenamente os olhos do rapaz, retirou alguns trocados da carteira, pôs no balcão, e simplesmente se retirou.

Fiquei boquiaberta, pensava eu que assistiria um drama ou um terror, entretanto foi suspense.

Foi então que compreendi, a amargura do rapaz era dele, e não da moça. Não poderia ela sofrer reações de ações que eram dele. Sofreria com suas mágoas, alegraria-se com sua bonança, repito com as SUAS, não as DELE.

A moça não dependia de ninguém pra ser feliz, suas glórias e rancores só estavam vinculados a seus atos, assim é bem mais fácil.

Descompliquemos!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Do lado de lá

Os picolés não resistiriam por muito tempo,
o dia estava demasiadamente quente,
o isopor velho demais,
E ele?

Nem sabia mais.

Não sabia que dia era aquele.
Que dia seria hoje,
não comprava queijo do reino,
não andava em shoppings,
não colecionava mangar,
vendia picolés em dias quentes,
tinha duas irmãs que não conhecia,
tinha medo de altura,
e não suportava amarelo, por isso perdia a freguesia dos apreciadores de maracujá, manga, e cajá.
Não precisava de muito, não desejava muito, não queria demais.
Não tinha sonhos de riqueza, não lia jornais, não tinha medo de assalto.
Não tinha roupa nova, não tinha aparelho nos dentes, nem vivia em sobressalto.
Não tinha muitas vaidades, temia a Deus, mas não se impressionava com as tais verdades.


Conhecia os segredos do mundo, não perdia uma sexta no trevo, e nem passava vontade.


Que ainda haveria de querer aquele homem de meia idade?
Há outras espécies de vida na cidade.


Observe.
Sirva-se enquanto eles não derretem.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

- Bença!
- Deus te dê Felicidade!

Minha mãe desejou-me que meus caminhos fossem serenos, que minha voz fosse mansa, que minha pa[z]ciência não se findasse.

Fez prece, liturgia, e caridade, para que nesta vida nada me faltasse.

Meu pai alertou-me das diversas nuanças deste rio, das imprevisíveis forças do homem, dos amargos delírios das ruas.

Fez poupança, plano de saúde, e pagou faculdade para que nada nessa vida para mim se calasse.

Será que as mãos dos pais guiam nossa realidade?
Seriam infrutíferos os conselhos, os ensinos, as ditas verdades?

Quando os dias se passam, as crias ganham o mundo, e afloram as vaidades.
De muito me valeram as horas de portas trancadas, os olhos inquisitivos, as perguntas encharcadas de sinceridade. O peito se agitava, a alma se tremia, as mãos não escondiam as traquinagens.

Cá estou, já sobrevivi nuanças, forças, delírios.
Nunca fui tão serena, nem minha voz tão mansa, nem tive o dom da pa[z]ciência.
Sem o ontem, não seria hoje. Sem os arranhões não teria vivência.

Que os filhos saibam reconhecer qual o maior legado de suas existências!










sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A ti.

2009 e os versos ainda não se re'conheciam.
Sabia eu que era tudo questão de temperamento, digo, tempo.
Tormento! Parece ser mesmo esta tormenta, esse clarão, que chove e fecunda o poema. Nem todos eles são tristes, nem filhos do caos, mas só estes têm a solidez do trovão, e a fúria do vendaval.
Ai está (vai) o que há em mim:



Tua ausência muda me é um cadeado
Machuca o coração magoado.

Só me diz o que se passa,
só me diz em que estrada minha alma ficou.

Creio que já é tarde pra sentir pena de mim.
Nada mais pedante.
Mas veja meu semblante, não vês que estou quase no fim?

É muita poesia, drama, e saudade.
É pouco dia-dia, colo e realidade.
Quero mais, quero a ti.
Entre'tanto não tenho esta felicidade.




Para quem ama a solidão é a mais dolorosa enfermidade.