Na sombra do cajueiro.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Jogo de azar
Venham com suas ganâncias ardentes, com seus egos latentes, e com suas sedes de vitória!
Não tenham medo, nem se achem loucos.
Venham todos, que devo ter muita sorte no jogo.
O amor está lançado!
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
a água mata de sede.

O aquecimento é global!
As geleiras derretem,
a inundação é geral!
O sertão vira mar,
a água que dantes não tinha,
agora mata de sede, de fome e de frio,
e não faz brotar semente,
barrenta derruba casas,
desliza montes,
soterra gente,
escurece os horizontes.
Grita a mata, o tempo, as águas,
o bicho homem não quis ouvir,
e fez da fartura uma terra escassa,
e agora sente a mesma dor
que arranhou quem agora nos arrasa.
Leva tudo, enxurrada!
domingo, 30 de novembro de 2008
Pombos voam em retirada, mas sempre voltam ao ninho.
mas nunca o Amor em mim.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
onde vives?
E ela respondeu:
Na poesia,
no florescer dos ipês em setembro,
no fervoroso sol do meio-dia,
no tempo quente da fervenTeresina,
e hoje no mês de novembro.
Vivo em muito coisa, e morro de tantas outras também.
Vivo em tatos, sabores, sons, e cores.
E neste segundo, eu morro de amores.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Nada, dentro-fora, zero a zero.

Nada mais delicioso que reconhecer um Grande Amor.
No entanto, há um grave problema,
Chegada a Hora da Separação
[Quando ela chega]
A Boca sente falta,
não há nada que mate a sede,
não ouvimos quando nos pedem calma,
porque não há nada igual a ele.
Só seu corpo consegue afagar minh'alma.
E essa é a Dor mais amarga de quem perde o Grande Amor nessa Pasárgada.
domingo, 2 de novembro de 2008
Dor'minguo II
uma canção Flash Back,
boêmios ainda dormindo,
operários sonhos construindo.
E eu perdida no labirinto que me leva a ti.
Dor'minguo.
Tédio. Nada pra fazer.
Nada faz sentido.
Por onde andas, meu querido?
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Arde!

terça-feira, 21 de outubro de 2008
A NOITE NÃO DORME.
mas é meu corpo que tem pressa.
Você me pede pra ver a palma,
mas minha mão é mais completa,
e meus dedos tocam a alma,
de quem longe só espera,
e minha ânsia é calada
com a saudade que me resta.
E a Noite não dorme,
E nessa tal Realidade, eu Sonho.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Fique só aqui, entre nós..

terça-feira, 7 de outubro de 2008
lado de dentro
a festa da democracria é festa de mais tudo no mundo!
enquanto a vitória cantarolava o ápice partidário,
um casal namorava,
bem ali na porta da casa alheia,
confronte a rua do povo,
ao meio da gente toda:
o beijo,
o espetacular'mente poético enlançar de amores!
Parecia praça de tempos de outrora.
E o beijo lá se propagando nem se importando com o que acontecia do lado de fora.
sábado, 27 de setembro de 2008
Os notíciários se abastecem com tantos acontecimentos em terra que o novo causa comoção e espanto.
Se bem que não é nada tão novo assim, aliás de jeito nenhum.
Velhas políticas, velhas rivalidades, velhas chacotas.
De novo só mesmo a tecnologia de ponta dos carros de som, que incomodam, incomodam, incomodam muita gente.
Gente que não tá muito ai, como não acontece nada de novo, nem de velho, o furdunço co'move a cidade.
Ah, nem vou mais aqui me munir de críticas ao coronelismo e a politicagem sórdida da terrinha, deixa disso, deixa que o povo se diverte.
Pelo menos há um motivo para inquietar o que cansa de tanto repouso.
Deixa o trioelétrico passar cantando coisas... coisas de que mesmo?
Daqui da nova capital eu só sei do que ouço falar, e do que nos portais eu leio.
Haveria verdade no fato ou na fantasia?
Quem com a verdade se importaria?
Deixa disso, deixa que o povo se diverte.
Os notíciários se abastecem com tantos acontecimentos em terra que o novo causa comoção e espanto.
Se bem que não é nada tão novo assim, aliás de jeito nenhum.
Velhas políticas, velhas rivalidades, velhas chacotas.
De novo só mesmo a tecnologia de ponta dos carros de som, que incomodam, incomodam, incomodam muita gente.
Gente que não tá muito ai, como não acontece nada de novo, nem de velho, o furdunço co'move a cidade.
Ah, nem vou mais aqui me munir de críticas ao coronelismo e a politicagem sórdida da terrinha, deixa disso, deixa que o povo se diverte.
Pelo menos há um motivo para inquietar o que cansa de tanto repouso.
Deixa o trioelétrico passar cantando coisas... coisas de que mesmo?
Daqui da nova capital eu só sei do que ouço falar, e do que nos portais eu leio.
Haveria verdade no fato ou na fantasia?
Quem com a verdade se importaria?
Deixa disso, deixa que o povo se diverte.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Cantarolar das colegiais

sábado, 20 de setembro de 2008
Enlace.

Ser para o outro mais do que é para consigo,
ter no outro um abrigo,
Ora, que tu me queiras sem “deixa disso”!
Que teu olhar cada vez mais se hipnotize
com os nossos sórdidos resquícios.
Quantos delírios!
E que nossa sede nunca se satisfaça,
e que teus braços continuem a ser a fita que me enlaça!
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
“Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”
Avivou-se minha fé no espiritismo,
Há sim vida pós-morte,
Nada acontece sem sentido,
E somos nós que tecemos nossa sorte.
Mais um dia se arrasta como um martírio,
Parece que perdi o norte,
Só não posso perder o equilíbrio,
Não será de dor, mas de agrado,
A lembrança que levarei comigo.
“Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”
É assim a natureza.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
A ti, o meu amor.
Coloriram meus dias,
Teceram meus desejos,
Velaram minha alma.
Volúpias, sandices, acalentos.
Sacanagem & Sentimento.
Levastes meu estar só,
E me fez a dois ser.
Amor meu, que ainda quero senão o teu querer?
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Telefonema
me tira do sonho,
contigo.
Agora tens por devido,
dá a minha realidade,
todo o teu lirismo.
Juro que não é capricho,
és por demais bem quisto!
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
sábado, 9 de agosto de 2008
Semeei girassóis

onde só se depositavam cacos de vidro,
oVidro reluz o sol,

e gira o tempo,

mas não floresce.

Enganei-me.
Nem tudo que brilha, aquece.

Não, não se deslumbrem!
Não vão pelos olhos,
tampouco pelos perfumes,

Não há sabor, o cheiro é dissimulado, e as verdades não se retratam.
Vidros insípidos como a água,
Mas ao contrario dela, desidratam.

Eu quero é água de beber, e não o vazio do vidro,
e não a lembrança de um velho retrato!
PERMITA-SE!
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Mentira tem perna curta, mas dá um grande passo pra dor e loucura.
Mas quando há mentira,
É sucessão.
Mentira tem perna curta, mas dá um grande passo pra dor e loucura.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Di'Fusão
Mas ame quem temes.
Temer o amor é desperdício,
e nada mais rico
que amar o temido.
Encontre o inimigo,
e faça as pazes.
Una, não separe.
Há arte no (en)contras(-)te.
sábado, 2 de agosto de 2008
Válvula de Escape
Recorri ao meu velho amor mais uma vez,
Depois que as paixões se vão,
Cheias de intensidade e vazio,
O velho amor me ampara em lembranças
que não fazem mais sentido.
Para não sofrer com a transitoriedade das paixões,
Sempre tão volúveis e enigmáticas,
Tenho um velho amor.
Quando outra paixão vier,
Este velho amor eu engaveto em meu peito,
O deixo ali, sempre no mesmo endereço,
Pois bem sei,
Que a paixão pelos dedos escapole,
E é esse meu velho amor que me socorre.
Há tempos que nem o vejo,
Mas para as despedidas não doerem tanto,
Finjo que é a ele que amo.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Não se iludam, ela não é mortal!

Ela viveu tanto
E com tanta intens’idade
Que teve o particular prazer
De planejar a sua própria ida à eternidade.
Salve, salve aquela que se denominou (sem se limitar) a maior Marginal do teatro brasileiro!
Nossa mais-que-eterna Dercy Gonçalves!
E não se iludam porque ela não é mortal.
sábado, 19 de julho de 2008
Arde a Saudade

Quando as horas passam
e nada faz sentido,
É só sentir que estou contigo.
Isso é o que chamam de Amor,
O mais suave de todos os feitiços,
O que se suspira por ardor.
O mais amargo delírio,
Meu Senhor,
Meu esconderijo.
Como arde a Saudade.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
É taca no povo, e “arrôcho” na taca.
A cidade calada presencia o passar do tempo. De-vagar.
Da colina que ergue a Igreja do Rosário avista-se a cruz do morro, e o nome da cidade em pedra na pedra fundida.
De riba da frente da cruz a vista alcança o Leme e a Santa de mãos arqueadas, que só por ser de gesso não se cansa de tanto rogar por terra de tamanha insanidade.
Das escadas infindas do Morro do Leme vê-se a torre de telecomunicações que dá ares de prosperidade tecnológica à pequena cidade velha.
Da torre que ninguém sobe, fora os desvairados suicidas, nada se vê.
Continuo o passeio pela Ruy Barbosa, avenida do movimento urbe. Bares, Points, Postos. As praças vazias perderam o encanto da mocidade. “Só há potó e criança”, advertiu-me a sorrir a moçoila que veio de férias.
O asfalto petrolífero dá lugar aos paralelepípedos coloniais. A Oeiras Nova vira velha em um passo. Literalmente.
Poeticamente. Impossível estar na terrinha e não respirar poesia.
Calada a cidade. Fala-se baixinho, pois cada sussurro dito pode ser ouvido pelas janelas cheias de olhos. Coladinhas umas nas outras as casas vão cochichando o escutado.
De repente o silêncio se cala, fala-se alto, “discute-se” “política”(gem), tudo assim entre aspas. Discutir que nada! Cada qual já tem sua paixão, seu fanatismo, sua irretratável opinião. As ideologias são mesmo poucas. Ganha-se quem paga mais (?!).
Portanto, muito bate-boca, carros e motos de som, zoada insuportável! Foguetes. Chateações. O silêncio se cala. A cidade muda se recolhe entristecida. Será essa a nossa Oeiras dita tão querida?!
Voltando a Poesia, ao cheio de alecrim, às casas coloridas de almas velhas, ao gosto bom das noites frias, à Cruviana...
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Miúdo menino, miúdas moedas, e graúdas obrigações.

O menino sentado na calçada do supermercado conta as muitas miúdas moedas.
Na escola das ruas ele aprendeu a matemática dos homens.
Cujo menos se desconhece, e só quere-se mais.
A insatisfação, de quem nunca foi satisfeito, dói e humilha.
Moedas miúdas tornam-se duas notas grandes trocadas na banca de jornal.
Duas de dez.
Por dez minutos o menino que não tinha caderno de figurinhas, fitou a arara vermelha. Arara que valia pães, dois maços de cigarro, leite, um litro de pinga, e dois pacotes de bolachas, arara que custara um dia inteiro de labuta.
Quarenta sapatos bem engraxados, a renda da família, e mais dois galos.
O menino sonhou com a arara vermelha, e por alguns instantes voltara a ser menino.
Um menino pobre cheio de maduras e ricas obrigações.
Recolheu as notas ao bolso, ladrões estavam por toda parte!
Ergueu os olhos, agradeceu a Deus a mais essa dura, todavia abençoada realidade.
E voltou pra casa com o sonho de arara, de um dia voar além da calçada, das moedas, da matemática, dos homens.
Voar além de si. E ele sonha. Pois pra quem a vida não é só uma festa.
A esperança é a única coisa que resta.
terça-feira, 1 de julho de 2008
Garotos de Ipanema
O playboy é filho de gente grande.
Gente da Justiça,
Com seus milhares por mês.
Prestígio e perigo.
O filho querido anda com mais três.
Homens. Guarda-costas.
Segurança Pública velando a classe nobre,
O filho da Justiça.
Boate da Zona Sul, muita fineza e carnaval,
Playboys com suas roupas caras, suas meninas burras, e suas caras de mal.
A ternura o dinheiro não compra, tampouco a sapiência.
Criaturas ainda não evoluídas exalando demência.
Olhares trocados.
Uma ameaça a sua fêmea.
As feras se enraivecem.
E está instalada a confusão, para a alegria geral da retardação.
Murros de cá, cotoveladas de lá.
As aulas de jiu-jitsu almejavam seu fim.
Poderia ter ficado só por ai.
Mas o filho da Justiça possuía seu público segurança.
Seu público segurança militar tinha porte, e tinha arma.
Arma tinha munição, tinha morte.
Um dois tiros pra cima.
Ego tolo se alimentando.
Corriam.
A alegria geral da retardação corria.
Um tiro pra frente.
Um menino que ali se divertia ruiu no chão.
Uma morte, o fim de um filho.
Que não era de gente tão grande.
Filho da Injustiça.
E agora como crer que a Integridade segue adiante?
Padeceu um menino.
Padeceu uma mãe.
Padeceu uma Dignidade.
Quem terá Juízo?
Ordena-se a lei do arbítrio.
E a vida fica a mercê da Militar Bestialidade.
[da pública segurança privada,
que tem por dever resguardar a sociedade.]
...
E as mentiras se tornam cada vez mais verdades.
["..Segurança baleou e matou o estudante Daniel Duque Pittman, 18, na saída de uma boate em Ipanema, zona sul do Rio, no sábado (28). Pittman foi baleado na cabeça pelo policial militar Marcos Parreira, que é segurança da promotora Márcia Velasco e de seu filho Pedro Velasco."]
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Toquem os sinos!
Que horas são?
Quase quatro da manhã.
Toquem os sinos, morreu um amor.
Morreu um grande amor.
Toquem os sinos e avisem aos poetas passionais,
Morreu meu grande amor, acudam-me com seus versos sentimentais, acudam-me!
Quanto a mim, quase-viva continuo a presenciar o passar do tempo, que não passa.
Continuo a passar a dor de quem tentou assassinar tudo que havia dentro, que não passa.
Tudo que chamou de minha vida, de meu bem, de meu amor.
Quase-morta choro como criança, depois da morte só me resta esperança de que renasça em mim qualquer coisa que me leve, que me conforte, que me dê uma vida pós-morte.
Quando morre o grande amor, a gente também morre.
Que sorte eu haveria de ter?
Toquem os sinos e avisem os poetas passionais,
A partir de agora visto preto, e por algum tempo não olharei no espelho para não te encontrar por lá.
A partir de agora presencio o passar do tempo até essa dor passar, até que eu reaprenda os passos dessa Dança,
E uma hora a Saudade cansa,
E eu volto a dormir, e a Sonhar.
“Quem foi que viu a minha dor chorando?!”
quarta-feira, 25 de junho de 2008
**Sentimentalmente ridícula
***Ridiculamente sentimental,
****Com versos por vezes tão pobres, tão bregas,
*****Mas não me levem a mal,
******É que o Amou me veio,
*******Já me levando, me inebriando, com sua destreza magistral!
********Excluo minha culpabilidade,
*******Não possuía mais resistência,
******Uma espécie de passional demência.
*****Mas a vós confesso,
****Sem mais lero-lero,
***Que tenha sido insanidade,
**Mas nada nunca me trouxe tamanha felicidade!
[às vezes, a gente diz alguma verdade.]
sábado, 21 de junho de 2008
Se for Você que Seja
Se você lembrar,
Que lembre tudo.
Que não resista,
Que seja fruto
Que me enfeitiça.
Se você pensar,
Que pense sempre,
Que não relembre,
Por nunca olvidar.
Se você quiser,
Que queira agora,
Que faça a hora chegar.
Se você me ama,
Que ame tanto
Que não pare de pensar,
Se você chegar
Que chegue logo
Que não demore
Que não me faça mais saudades passar.
Se for você
Que seja
Sempre
Agora
Tanto
Logo
Que seja se for você
Que chegue
Que pense
Que queira
Que ame.
Se for você,
Que eu seja o seu querer.
Se for você que eu Seja.
Se for eu que seja Você.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Campo Minado

Caminhas.
Sigo.
Enlaço-me em teu passo corrido.
Apresso-me.
Em vielas me perco.
Perco sentido!
Mas meu peito te leva comigo,
E sigo.
No compasso do teu samba me embaraço,
E fico bamba.
Olhos meus não te perdem de vista,
Pareço criança com essa pertinente cobiça
Vejo teus lábios, mordo a isca.
Invado teu campo minado,
Arrisco meus trocados, e minha sorte
Quem trouxe minha virtude foi meu pecado,
Vida sem ti é morte,
Enfeitiçar-me foi um mal bocado,
Terás a mim por todo lado,
Pois é seguindo teu passo que tenho norte!
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Ser para alguém mais do que é para consigo.

Sempre vi minha mãe encher meu pai de dengos, quitutes, afagos, e afins. Certamente, e sinceramente despida de quaisquer ciúmes, sempre percebi que ela o dispensava bem mais atenção do que para com a gente, eu e minha irmã.
No tempo nem ligava, e nem sabia, tanto fazia, pois amor também não me dava, carência não havia, nem tinha motivo de pirraça.
Com o tempo desvendei o que sempre convivi.
O tempo sempre tão certeiro!
Amor de filho condição não tem. Para sempre. Amor de Amor tem que ser nutrido, acalentado, bem cuidado, bem quisto. Para sempre, mas como filho da semente deve ser cultivado.
Mantido.
Com amor, ternura, sexo, guloseimas, versos, petiscos, cantigas, queijos, mariscos... Mantido.
Enamorar não é só um capricho, é ser para alguém mais do que é para consigo.
QUE SEJAM FELIZES OS ENAMORADOS,
sexta-feira, 30 de maio de 2008
_____________________________________________________
________________
___________________________________________________________
__________________________________________________________________
_______
__________Não ter Perto quem se tem __Dentro __é___Crueldade.___________
________________________________________________________________
____________
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Alumeiam os olhos de Argos.

teus cem olhos em vigília
velavam meu adormecer,
[50 despertos, 50 adormecidos]
50 holofotes alumiando meus sonhos,
50 anjos guardando minha sorte,
ah, mas puseram-te a dormir, gigante meu,
desatento ficou meu sono,
triste partir,
Argos Panoptes,
cortaram tua cabeça,
fez-se estrela ao céu sorrir,
teus cem olhos viraram asas,
ao pavão colorir,
e quando tal pássaro passa,
sinto teus olhos alados protegerem meu porvir.
domingo, 25 de maio de 2008
Morre o poeta vivo.
Olhem as ruas tristes, atordoados os transeuntes cantarolam!
Morreu o poeta!
Morreu o poeta vivo!
O que será de nós sem poetas?
Mortos?
Ah, o dia cambaleia dentre as horas secas.
Anunciam os jornais, as bocas, as mulheres prenhas, os velhos funcionários públicos, os padeiros...
Os cartazes anunciam, morreu o poeta!
Morreu o poeta vivo!
Jamais vi olhinhos que riam tanto, jamais vi um velho tão menino, jamais vi um poeta tão e’terno, tão além dos vivos.
Vive o poeta em versos mortos que não podem morrer,
Vive o poeta eternamente em teus versos, versos que por tantos e tantos séculos ainda hão de viver, e emocionar meninos, jovens e velhos que teus versos solver.
Saudoso Hindemburgo Dobal, os meus mais belos aplausos!
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Disparate passional
De tuas terras, puseram-me retirante,
fui sem norte, sem verdades,
ex’pulsa de leito tão delirante.
Por dores eu vi, por mágoas andei.
E hoje nem sei o que é felicidade.
Seria eu assim tão errante?
Marcou-se em meu semblante
a forma do tempo e de suas perversidades.
Con’tudo vou adiante,
Que Deus me dê Coragem!
Que eu desaprenda o que é Saudade,
E que não me julguem meliante!
O querer é sentido,
Sentido não tem pretexto,
Erro de tipo ou de proibição?
De quem é a culpa, do proibido ou da paixão?
Querer não faz sentido.
Não tenho licença, autorização, nem registro,
Mas meu querer é estar contigo.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
sábado, 17 de maio de 2008
É Verdade ou Mentira?

Difícil falar em verdades
quando as gentes só querem ouvir mentiras.
crer em men'tiras.
A grande verdade é que verdade não há,
E a grande mentira é que a mentira verdade trará.
[Mentiras sinceras não me interessam, e a ti?]
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Cada pessoa constrói o seu mundo, o seu universo.
Paralelos pelo corpo, colateral pela alma.
Um ponto. Vários pontos. Lig’ações.
E as pessoas vão por ai se encontrando, se reconhecendo, desvendando a si próprio pelos olhos do outro (seria isso ad’mirar?). Dos outros. Outros que amam, outros que odeiam Outros que nem tanto. Olhos outros. Inquisições.
Enaltece, descrimina-se, acalenta. Aterroriza. Olhos outros têm tantos dons!
Tons, brilhos, acordes... Tantos!
Ah, não sei não.
Que se liguem todos os cosmos, que recriemos as constelações!.
Que se revelem todos os desejos, todas as estrelas, todas as paixões!
Que sejamos não só espelho, como reflexões.
( amados vão,
amados vêem,
lembranças insistem,
saudade fica,
e Amor resiste. )
sábado, 10 de maio de 2008
laço que me embaraço
Você surgiu como a leveza do poente,
Inebriou meus olhos,
Estremeceu meu corpo,
Enalteceu minha mente,
E vez salivar minha boca.
Deixou-me louca, quando a lucidez já me batia à porta,
Deixou-me rouca, quando o silêncio já entoava minhas madrugadas quase mortas.
De tanta glória,
Eis que se despontou a inquietação.
Falar em paz quanto a palavra é paixão,
É lero-lero.
[mas precisava ser tanto?]
Preço tão caro o desse encanto!
Sem poder, eu quero.
Venero as mãos de quem não posso tocar.
Lembrança é vazio. Vazio aflora em noites.
Noites vazias devoram.
Noites devoram.
De solidão, frio, vácuo, noites devoram.
Por quais caminhos rumam teus passos?
Precisaria me perder para te encontrar?
Meu desejo é mascarado. Guardado na última gaveta do armário.
E tanta angústia me faz passar!
Valeria a pena ou não haveria escolha?
Que laço é esse que me embaraço?
Amar assim sem poder é até maldade.
O deleitoso é degustar do abraço, e não se alimentar de saudade.
Talvez a hora que for já será tarde.
Até quando, amor?
Vem logo, revelar-me a felicidade!
[ Quero teu corpo de sol acalentando minha noite de chuva ]
quinta-feira, 8 de maio de 2008
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Hoje fui dormir toda contente,
[Depois de uma noite insone]
Só porque descobri,
[que tu sejas meu confidente]
O que é mesmo esse tal Amor,
Criatura tão surpreendente!
Desvendei!
É uma con’fusão de sensações iminentes!
Uma hora faz desabar o mundo,
Outra reinventar as gentes,
Não há momento permanente,
Só há uma vontade louca,
De sentir o Amado em minha boca!
Amar é querer.
[Sem egoísmos, sem desenlaços]
Querer ser fruto da tua semente,
Querer ser o caminho do teu passo,
Ser o bailar da tua estrela cadente!
Amar não é, nem deve ser,
É só sentir,
É mais que prazer.
[sem explicações]
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Espera-se.
Relógio de pulso que pulsa mesmo sem ponteiros.
Ponteiros vagarosos!
Testemunhando o passar do tempo.
Espera-se
Um cigarro. Lá se vão mais dez minutos.
Relê-se o panfleto do supermercado três vezes. Big Ofertas! Oh, dinheiro nenhum.
Espera-se.
Senta-se no banco de sua exaustão.
Ele não veio.
Tudo perde a graça.
Ela olha pro lado.
Duas moças gargalhando a madrugada passam.
Ela as acompanha.
Ele não veio,
E hoje continua a ser sábado.
"eu sinto tanto, eu sinto muito, eu nada sinto, como dizia Madalena, replicando os fariseus, -quem dá aos pobres empresta, quem dá aos pobres empresta Adeus!".
terça-feira, 29 de abril de 2008
o sertão virou mar

Se chovia em terra sertaneja,
aflorava a farta vida, e a farta mesa,
promessa a se cumprir.
[não é mais assim]
Homem. Lixo. Devast'ação.
O sertão virou mar.
Seca agora é inundação.
Água levou vida, casa, cadeira
trouxe morte, doença e dor,
o homem destruiu a mata,
e o aquecimento global se anunciou,
o sertanejo* que pedia chuva,
agora luta pra recuperar o que a chuva levou .
[*Sertanejo. ACIMA DE TUDO UM FORTE. Euclides estava certo.]
sábado, 26 de abril de 2008
Blasé

Cansara da vida louca. Pés calejados, estômago enfastiado, cabelos despenteados, um dos brincos perdido.
A mesa, o copo, as baganas. O último cigarro, nenhum fósforo. O sol já despontava, os ciclistas operários já engarrafavam as ruas. E ela lá, como mais quatro ou cinco notívagos vagabundos além do dono do bar.
Terça-feira, 11 de abril de 1989, nada pra fazer em terra tão remota, tão cansada de tanto repouso. Só destilados, e fermentados de quando em vez, quando se recebia a pensão do mês. NCz$ 81,40. Passa-se mal, mas inebriada.
Mundo de ilusões bem mais divertido que o real desiludido.
Quem um dia quis encontrá-la, lá estava.
Cansara de ser (por opção) louca, cansara da vida.
Ninguém com mais sorte que os alcoolizados.
Reuniu as moedas que sobravam. Veneno para rato, 100 ml de água sanitária, quatro bolinhas de naftalina, e uma lata seca.
Sentou-se na calçada e ali mesmo preparou o derradeiro coquetel.
Não queria ser um marco, nem era assim tão intempestiva.
Amava seu cachorro, o dono do bar, e sua família.
Sem causa, sem teoria, sem carta, sem canto, tampouco poesia.
Apenas cansara.
Por que não teria direito de cansar?
Solveu fervorosamente todo líquido.
Ali mesmo entrelaçaram seus dedos, medos.
De que agora cansa’ria?
[Que isso fique para teologia.]
quarta-feira, 23 de abril de 2008
terça-feira, 22 de abril de 2008
domingo, 20 de abril de 2008

Pairam as folhas secas sobre a calçada,
a menina de sapatinhos vermelhos adora pisá-las.
"creque, creque,"
o gostoso é a sinfonia que se instala,
e vai andando a menina,
reinventando a cantiga que cria enquanto volta para casa.
As folhas despedaçadas viram lixo no saco do Jardineiro,
se vão depois da missão cumprida,
de desfalecer-se entoando poesia.
quinta-feira, 17 de abril de 2008
sexta-feira, 11 de abril de 2008
logo,
Só pisco
quando o cisco cai
...]
Vai que eu vou!
Pisco o olho,
E tudo transmuda,
Tempos outros, instante outro,
Exato inexato instante corrente
Correndo, semeando,
Corrente, rente.
Semente ao tempo levado,
Brotando ao espaço o desmembramento,
Tudo em nada virando tudo
Conexões de moléculas em formas outras, força do pensamento.
Deixo o corpo ir e reinventar seu mundo,
Vai que o dia está pra Aurora,
Vai que eu vou,
E agora é hora.
Vai que vou,
E tudo melhora.
Acomodar-se é assinar a sentença da existência tediosa.
sábado, 5 de abril de 2008
Reencontro
O relógio de parede denunciava o tempo perdido.
Perdido em horas secas, tristes.
Meia-noite.
O controle-remoto cumpre seu papel de inquietação e preguiça. Não pára em um canal.
Nada lhe interessa nada lhe interessaria. Seu corpo já fizera forma no sofá. Tédio.
Levantou-se, foi até o quarto, cada dia mais vazio, vazio de felicidades, e cheio de memórias, o quarto.
Na última gaveta da cômoda, uma pasta azul-marinho. Pegou-a com uma sutileza que nem mais sabia que possuía, posou-a no colo, e com muito espero foi desfazendo os laços.
Contas velhas, registros de imóveis, e algumas cartas.
Dentre elas a de Tereza.
Por onde andará? Pensou o homem que já não pensava.
Não sabia.
Há longos tantos anos, não sabia.
Não sabia nem de Tereza nem de si.
Que longos os dias de horas secas!
Tantos dias de horas tão tristes!
A ausência dela se fez presente em sua memória,
Ali, feito fotografia de áureos tempos outros frente seus olhos.
Passado se fez presente.
A lembrança se fez momento exato.
Tereza, afável como sempre, linda como sempre, amada como sempre. Sempre, porque sempre presente esteve. Como não se lembrar de quem nunca esqueceu?
Tereza com seus olhos de menina, cachecol dourado-de-mar, e sorriso azulado-de-sol
A carta na gaveta nunca aberta.
Não queria sentir o peso do não, Tereza arrumou as malas, de manhã cedo partiu, deixou uma carta sobre o criado-mudo, quase que surdo. Recado não ouviu, nem deu. A carta por si cintilava, amedrontava.
Havia Tereza ido para não voltar?
A carta de Adeus? Nem ousou pensar. Nem pensar, nem abrir.
Posou-a no colo com a sutileza que Tereza lhe ensinara, sem nem saber. Tereza era só Amor, não poderia mais sem ela viver. O preço que se paga pela virtude, é o vício.
Quere-se sempre mais. Mais! Demais, quere-se. Nada é de graça, nada tinha graça.
Abriu a última gaveta da cômoda, uma pasta azul-marinho.
Com muito desespero foi desfazendo os laços.
E ai pôs a carta.
Por um dia, dois meses, três anos, tantos tristes secos longos anos. Ele esperou.
Entre desvendar o segredo que Tereza cochichara na carta, e o medo da perda inesperada, o último pesou mais forte soou. Carta não abriu.
Pesar, dias se arrastando. Tereza nada de voltar.
O relógio na parede denuncia o tempo perdido.
Quis o achado, não mais o perdido.
“Meu bem,
Três meses e uma di’fusão nossa no mundo!
Volto amanhã.
Com amor,
Tereza”
Acidente, um dia depois da carta, corpos cremados, não identificados.
Entre eles o de Tereza que espera cria sua!
O filho que não veio ao céu se fez estrela. Tereza não era mais matéria, só espírito de claridade, e sua presença se fez mais-que-presente na sua saudade, e desde esta hora, ele viu que eram eternidade, e mesmo em planos outros se fizeram Unidade.

