Na sombra do cajueiro.

No balanço da rede o tempo descansa.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

MANIFESTO
Governo autoriza destruição do meio ambiente

A sociedade piauiense é testemunha de um dos maiores crimes já cometidos na história atual contra o patrimônio ambiental do Piauí. Ecossistemas como a Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Manguezais vêm sendo dizimados somente para satisfazer a ganância de empresários sem escrúpulos. Tudo com o aval do Governo do Estado e outros políticos.

Preocupados, os ambientalistas de todo o Estado resolveram botar a boca no mundo, pontuar e denunciar os crimes ambientais em andamento no Estado.

01 - Desmatamento: de Norte a Sul, Leste a Oeste está ocorrendo disseminação das espécies vegetais em troca do cultivo de monoculturas (soja, mamona, eucalipto e etc.) ou simplesmente para a produção de carvão vegetal.

02 - Carvoarias: Em um ano no sul do Estado foram instalados mais de 3.000 fornos. Tudo com autorização da Secretaria de Meio Ambiente e Ibama.

03 - Projetos do Agronegócio: Governo concede isenção fiscal e terras públicas devolutas para instalação de projetos de monoculturas, associados ao uso de transgênicos, envenenamento de lavouras e homens, trabalho escravo, destruição da vegetação e dos recursos hídricos.

04 - Os beneficiados com essa política de destruição dos recursos naturais do Piauí são poucos, os principais são a BUNGE ALIMENTOS, JB CARBON, FAZENDAS DO AGRONEGÓCIO.

05 – Morte por Agrotóxicos - 15 trabalhadores rurais morreram vítimas de venenos utilizados no plantio de soja na região dos cerrados. O assunto foi esquecido e os homens continuam adoecendo.

06 – Favelização: Nos maiores centros urbanos a fome, a prostituição, a perda dos conhecimentos tradicionais, consumo de drogas, marginalização, desemprego e outros problemas.


Desenvolvimento a qualquer custo não dá!
Preservar é o melhor caminho.

Rede Ambiental do Piauí - REAPI




Ofício Circular N° 01/2007 Teresina, 06 dezembro de 2007.






Prezado Senhor (a)

Em virtude dos impactos ambientais negativos que estão destruindo a biodiversidade dos biomas Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Mangue no Piauí, face ao modelo de desenvolvimento pautado na insustentabilidade adotado pelo atual governo, a Rede Ambiental do Piauí-REAPI, convida sua entidade a participar de um processo de mobilização em defesa da preservação da biodiversidade do Piauí, que irá acontecer no próximo dia 18, às 10h em frente ao Palácio de Karnak.

Avelar Damasceno – Coordenador da REAPI
Judson Barros – Coordenador da REAPI

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

bate a porta & entra pela janela


Da Chegada pré-matutina de um SMS de um Amor que bate a porta & entra pela janela


Hoje amanheci com uma espantosa suspeita
Depois que minha calmaria tornou-se taquicardia,
Tudo em que pairo o olhar é poesia,
E não tenho mais nenhuma certeza!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Meus dias têm passado assim, acinzentado.O sol se escondendo, e o tempo abafado...Dias vão indo assim, meio de lado, acanhados, talvez, com esse passar nublado!
saudades, nenem!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Minha ausência era companheira fidedigna,
Apesar de suas manias e caprichos,
Entendia-se muito bem comigo,
Até que um dia,
A borboleta pousou.
Pousou em terras difíceis, em terras alheias,
Nas quais o vento lançou minhas poucas sementes
[que talvez nunca venham a germinar]
E cá estou sem sementes, sem terras, sem eira.
Quem te deu licença pra invadir minha ausência?

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Quem te deu licença pra invadir minha ausência?

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Antídoto


Uma sede, uma ansiedade,
Meu corpo pede água, pede tempo, pede calma,
Não agüenta mais se alimentar de saudade,
Mas nada que acuda minh’alma,
Morto está meu coração
Meu corpo pede o teu corpo,
E não há outra solução.

Clarão e Mariposa





[a solidão dela]

Entardece.

Para cada passo de um, há o caminho de outro.
É preciso que as pegadas sejam marcadas, e são.
Marcadas em um verso ébrio de um guardanapo amassado,
Em uma canção triste de uma noite erma,
Em um pedido guardado no fundo da gaveta.
(Desejos imersos em um bom uísque escocês.)

[a solidão dele]

Anoitece.

Para cada caminho, há um passo a seguir.
É preciso deixar o olhar re’pousar, e ele pousa.
Pousa em um guardanapo sujo de outros fregueses, que o garçom ainda não recolheu,
Pousa em uma canção que o faz lembrar um amor que já perdeu,
Pousa em um pedido alheio nunca realizado, que leu nos classificados, e que nunca esqueceu,
Pousa em uma noite como todas outras, de dia fadigado.
(Dúvidas imersas no café das seis.)

[a solidão a dois]

Amanhece.

“Duas torradas, e um ovo frito”,
O pedido do homem ao lado a trouxe outro desejo,
Um desejo realizável!
“Para mim também!”, sussurrou.
De repente se viraram, olhos nos olhos como em uma canção triste,
Guardanapos amassados cheios de versos, não mais tão ébrios, não mais tão sós, espalhados pela mesa,
Um pedido, dois pedido, o mesmo pedido.
Perdidos, encontrados.
Um passo era o caminho do outro.
Marcas que se deixam,
Olhar que se pousa,
E eles se ad’miraram, Clarão e Mariposa.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Pós e pré são apenas estágios do pensamento, a vida é agora, esse exato instante, nem o próximo, nem o de antes. Vá adiante. Adiante o relógio, atrase. Atraso. Horário. Que horas são?
Chega de desvarios, é hora da labuta, da exaustão.

sábado, 1 de dezembro de 2007

O
T
empo
é a maior
invenção
do aprisionamento.

Não pare na pista, não passe á vista




Trocavam fúteis dizeres em suas confortáveis e luxuosas cadeiras.
Um restaurante nobre freqüentado pela mais hipócrita elitezinha fedida, com seus nomes pendendo nas ações de cobrança, e nas colunas sociais.
“Ah, lá é tudo de bom, ouvi de dizer que tá bombando!”
E assim iam/vão revezando conveniências, asneiras, e riquezas vãs.
De repente, não mais que de repente.
Pobres moleques negros passavam nas calçadas.
Pobres moleques negros não podem pisar em calçadas tão ilustres, de local tão alinhado!
Eles não têm dinheiro para pagar nem uma água, nem para entrar no banheiro, nem para andar nas calçadas!
Ladrões, ladrões!
Os rostinhos maquiados de L’oréal e cinismo contorceram-se temerosos.
Pobres moleques negros passando em calçadas tão nobres, “só podem sem ladrões!”.
Passavam os moleques e as moçoilas requintadas recolhiam as bolsas ao colo.
Passavam os moleques e os rapazotes guardavam os celulares pós-modernos nos bolsos.
Passavam os moleques e a policia foi acionada.
Passavam os moleques e a burguesia se desesperava.
Levariam cartões, brilhantes, tênis caros!
Passavam os moleques.
Passaram.
Aliviados os rostinhos suspiraram.
Pobres moleques negros apenas passavam.
Pobres não podiam passar por calçadas tão altivas.
Pobres causaram pânico.
Por serem pobres.
Por serem moleques.
Por serem negros.
E eles só queriam passar.
E passaram levados, enxotados pelos amedrontados e desconfiados olhares endinheirados.
Eles sem dinheiro nenhum, só poderia ser um assalto, “os arrastões estão por todo lado”, pensaram.
Os moleques negros e pobres só queriam passar.
E passaram.

“Sai daí, neguinho, que aqui não é lugar de pé-rapado!”.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Guerrilha da Sobre’vivência




O batom escarlate aguarda na penteadeira os últimos retoques.

Ela.
Abotoa as sandálias finas,
Adornar-se do longo vestido admirável,
Faz do aprontar um ritual sagrado.

A lua emoldurada na janela convida convoca ao deleite.

Ela.
Respinga no corpo essências de laranjeira,
Coloca os brincos herdados de uma tia rameira.

Armada a mulher vai à guerra,
Em busca da sua caça,
Faminta pela sua presa.

E assim faz do pecado uma ciência,
Já que vaidade é a armadura da sobre’vivência,

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Achados & Perdidos



Perdi a minha boca para os teus beijos,
Perdi os meus braços para o teu abraço,
Perdi minhas noites para tua lembrança,
Perdi minha voz para chamar teu nome.
Perdi-me.
Perdi-te.
Não me destes endereço.
E agora peço que devolva minha boca, meus braços, minhas noites, minha voz, e o teu beijo.
Beijo para que guarde em minha boca,
Abraço para que guarde em meus braços,
Lembrança para que guarde em minhas noites,
Nome teu para que guarde em minha voz.
É o que nunca deixar-me-á perder de nós.

Eu (a)guardo.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Crepúsculo Sertanejo


O sol se deita na imensidão do céu,
Pousa no infinito que nosso olhar alcança,
Desdobra-se em nuanças mil,
Do outro lado a lua desponta, embriagando-me com sua calmaria sutil,
Meu olhar se desata, e fio a fio a imensidão do céu desbrava.
Ah, há imagens que não me fazem dizer nenhuma palavra!

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Cena & Sina Dominical





Passa a tarde que repassa
Como todas as outras,
Pousa a tarde que repousa
Como todas as outras.

Será que se cansa a tarde de tanto passar?
Será que se cansa a tarde de tanto repousar?
Como todas as outras?

A cidade emudecida se envolve da tarde dominical,
A cidade serena se revolve como lhe é maquinal,
E tudo se devolve a cena enfadonha e normal,
E a cidade sossega a espera do fim de mais uma tarde.
Como todas as outras.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

(In)versão de (des)valores


Há mais variação entre o verão e o inverno,
Do que a alfaiataria possa recriar e esboçar,
Mas o povo paga um preço caro,
Afinal já passou a moda do outono passado!


Isso é que imagina essa nova vã filosofia.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

O povo se apressa
De’corre o tempo
Só entre um intervalo e outro
É que há contentamento.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007



Falam por ai que há encosto pra tudo!
Tem os que fortalecem, os que trazem moléstia, os que prevêem o futuro!
Só sei que algo é certo,
Poeta é bicho que tem corpo aberto!






Carlos,
Quero a palavra tua que me consulta,
que me resume em mundos, que me substitui em sol.
Quero a palavra tua que silenciou meu grito,
que foi meu abrigo, que deu sentido ao que era só letargia...
Quero o saborear de tua poesia!
Bárbara

Canção do Emudecer

Calo a noite em sua calada,
Hoje é dia de gala,
Quero o som do silêncio em todos os salões e salas,
Quero ouvir a orquestra das angelicais harpas,
Tão nobres e tão belas que só são ouvidas no cinema mudo de telas teatrais, que só são vistas quando tudo se cala, e a noite já é madrugada, e o sossego se sobressai.
Então, a voz do emudecer entoa sua canção, e as cortinas se abrem na nossa alma, dando roteiro a nossa missão.
É preciso ouvir o que não se ouve, mas houve e há.

sábado, 10 de novembro de 2007

O negro deixou a malícia escorregar pelos lábios,
Não tinha essa de conversa fora, de ponte, ou de atalho,
Chamou a fêmea de lado e disse,
“Nêga, larga de tolice,
E venha se deitar aqui comigo nessa rede,
Vamos desbravar o mundo dentre quatro paredes, essa é nossa sina!”
E fecharam-se as cortinas.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Pétalas circulantes



Flores amarelas pousadas no duro banco cinza de cimento,
Vieram voando lá das copas,
Em espiral, bailando com o vento,
Pairando ao céu em deslumbramento,
Descendo, descendo, até aportar aqui nesse banco de cimento,
No qual também deleitei meu cansado corpo de tormentos,
Fadigado, sem polens, sem vôos, sem ventos!
Foi então que me pus como as florzinhas amarelas,
Senti-me como elas pelo menos naquele instante,
Instante em que fui descendo da copa da árvore como as pétalas circulantes!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007


Diga-me, senhores, para que tantos pudores?
Fizeram de Eva pecadora!
Mas todos continuam a viver nus por debaixo das roupas!

quarta-feira, 7 de novembro de 2007


O Tempo do im’Pulso


Fitou pela milésima vez o relógio de pulso.
O atraso assolava seu cerne, as obrigações enlouqueciam suas pernas, os ponteiros inquietavam seus olhos. Mais alguns minutos e ele já podia prevê as irritações do seu chefe, que até ele chegar ao serviço já haveria de ter o chamado de tudo que era sórdido nome.
Demissão?
Não! Dois filhos pra criar, filhos que ele não fizera, mas tinha como seus. Filhos da mulher que se encantara, mas que há dois anos o deixara com os filhos dela que não eram seus. Ele tinha amor por eles, ele era só amor, ele era só para eles.
O relógio no pulso cumpria sua sina, atormentava.
O ônibus parava em tudo que era esquina, só entrava não saia ninguém.
Uma babilônia se erguia naquele coletivo automotor, ouvia-se suspiros voluptuosos, estórias fantásticas de vizinhas despudoradas, um bêbado pedia esmolas, um velho barbudo reclamava da vida... E o tempo nada de demorar, corria feito louco!
Ah, loucos ficariam seus olhinhos de tanto mirar os ponteiros circulantes... Pensava ele que presenciando o passar do Tempo ele poderia acalmá-lo, contando-lhe cenas de amor, vidas prometidas, filhos que não brotaram, faces que enrugaram... tudo por causa dessa sua pressa toda, dessa sua vontade de chegar a algum lugar a todo instante, como se Tempo tivesse Espaço! E Tempo tem lá Espaço?
O Espaço do Tempo, para ele, era aquele relógio de pulso, comprado em seis prestações.
“Pronto, só mais uma parada, e duas voltinhas desse compridinho aqui!”, ele pensou.
Foi então que se anunciou um assalto!
Um louro alto com uma 38 nas mãos intimidava uma quarentona botoxada, e dois meninos e uma moça grávida passavam recolhendo os pertences dos passageiros.
3 min, pronto! A criminalidade estava cada vez mais ágil!
Os assaltantes desceram do ônibus.
Nenhum ferido, dois enfartados, uns 40 relógios, talvez uns R$ 500,00, entre outros pormenores.
Levaram seu relógio de pulso, cinco vales, e R$ 15,00.
Levaram sua agonia?
Ainda mais pobre. Humilhado, mas não demitido. Voltando a pé.
Olhou o pulso, lembrou-se que não havia mais relógio.
Relógio de pulso.
E o pulso ainda pulsava mesmo sem relógio, mesmo sem horas, mesmo sem obrigações!
Foi então que ele sorriu.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007


Fria a madrugada agasalha as costelas,
A alvorada se despreguiça por dentre a janela,
Para que em aquarela o dia principie!
Ah, cores tantas que se abrem nessa manhã de novembro!
Quisera eu poder tantas outras vezes, embriagar-me desse deslumbramento,
E sentir essa friagem que nessa terra só se sente essa hora do tempo!
Que sejam insones algumas de minhas noites,
Para que eu deguste mais desse afável momento,
E depois que eu volte a dormir, podendo sonhar com a Aurora, e todo seu encantamento!

sábado, 3 de novembro de 2007

Passei a tarde lendo versos alheios,
Sentindo a presença da solidão dos poetas,
Sentindo com os olhos os olhares que fizeram pulsar poesia,
Passei a tarde toda nessa correria, nessa con’fusão de su’realidades vividas,
Foi então que dei voz ao que sentia, e me pus a escrever tais versos,
Versos esquecidos dentro de mim,
Versos que li em outros versos,
Poetas e poesias que vão e vêm, ins’piração que não tem fim.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Cá espero um bem-querer que ainda não veio,
Uma pele, um pulso célere, quiçá um beijo...
Ah, não quero um amor para vivê-lo,
Mas para sê-lo,
Viver?
Já vivo sem ele,
Ser?
Não sou sem tê-lo,
Que a inquietação do amor brote em meu peito,
E que o apego se desapegue,
Para que eu não negue o direito do amor ser ele mesmo.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Sempre procuram fazer o laço,
Dar desenho a aquarela,
Inteireza ao fato,
Tampa a panela,
Certeza ao inesperado,

Sem saber que o encanto está no inacabado!
Atipi’cidade cotidiana


Seus negros pêlos fartos sobre sua pele clara,
Longos poucos tragos pela madrugada, um fumo vulgar.
Uns óculos postos, a vista já escassa.
Balançava na rede na varanda no 203 no Alvorada na rua 8 de maio no subúrbio numa cidade do norte.
Qual sorte haveria de ter?
Folheava as páginas tantas de um parecer antigo de um tio de um amigo seu que um dia fora procurador de uma cousa qualquer outra.
Ah, piegas leituras de uma noite de sexta-feira em uma cidade que dorme, mas não tão cedo!
Piegas, piegas, piegas!O que enfim não era piegas na vida dele, homem de fartos pêlos de uma cidade do norte? ‘
Ah, ele há de ter alguma sorte!
Haverá?
Piegas, a sorte é a mais piegas de todas as crendices humanas!
Ah, que sorte teria aquele que nunca teve norte?
Aquele que foi peça vazia difusa jogada ao léu?
Como dar vida a quem só conheceu a morte?
Piegas, a morte é a mais piegas de todos os temores humanos!
De tão certa é tão arriscada!
Oram pra reservar seu lote no céu, todavi(d)a não querem ceder do prazer pecaminoso desse mel, mel que só cá se encontra, nessas terras abaixo, de homens, mulheres, sexos, roque e ciranda!
Vem, vem, moço, bailar nessa dança!

*

querida, por sentir tanto da ferina hipocridia na pele é que hoje vivo tão recolhida, vejo as lírios da minha sacada, assim como as moçaendras que balaçam e as goiabeiras que frutificam! cá estou esperando-a pra aquele café! abraço querida, por sentir tanto da ferina hipocridia na pele é que hoje vivo tão recolhida, vejo as lírios da minha sacada, assim como as moçaendras que balaçam e as goiabeiras que frutificam! cá estou esperando-a pra aquele café! abraço

P.A

*

E então, depois de tantas e outras, a gente vai aprendendo a se re'colher, a se internar dentro de si...Você é como os lírios, maçoendras, e goiabeiras (nossos filhos brotarão da goiabeira do quintal!), você é parte deles, reflete neles, eles te compreendem, acompanham, oram, e silenciam, recolha-os.

Devemos aprender o silêncio sábio dos lírios, maçoendras, e goiabeiras, porque nossas bocas sempre dizem a mais do que as outras bocas disseram... Para não comenter o risco-vício do excesso, guarde a inteireza das palavras alheias.

Compreeender, acompanhar, orar e silenciar.

A.B

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Vesos à lenha, e que venha o fogo à dois!


Versos à lenha


Mui me agrada as palavras duras.
As palavras secas, desvairadas de tão lúcidas, de tão sóbrias!
Lembre-se a lou’cura, não te preocupa tanto com os pudores das senhoras!
Palavras cruas, descaradas, desnudas são as mais valiosas!
Dizem que Palavrão é cacete, merda!
É boceta, é foda... mas tão mais feia é Marirosa,
E é palavra bem vista, é nome até de cartão de visita!
Gosto das palavras frias e do seu poder de cura,
De invasão, de dizer o máximo de sua potencializarão, e não há quem não se derreta quem não ceda quem não atrele sua carne e sua mente.
Gosto, enfim, da frieza das palavras calientes!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007


Seu Juvenal lá da fazenda Ipiranga
Que toma o leite de sua vaca, e come a tapioca que planta
É muito mais humano
Do que essa gente da cidade grande, que nem com os próprios pés anda!
Que não sabe de onde vem a roupa que veste, nem a cachaça que bebe, nem quem é mesmo que manda!
Cada qual estar para si, e para o mundo, nos é dada uma sorte, e uma missão,
É preciso por magia, ternura, e bondade ao que se vive,
Guiando sua própria condução,
Até porque é tão fácil ser triste,
E pôr-se a mercê de sua condição.


quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Poesia dá ida ao leva e traz


Enegrecia o céu, desabando em tormentas,
Dores se alastrando pelos vales, seca esfomeando os lares, abatida e vaga cena...
Almas moribundas cambaleando pelas ruas ermas, velhas prostitutas com seus peitos caídos, homens falidos cheios de soberba, viados gargalhando alto, uma névoa negra...
Raios partindo a noite, os espíritos, os amores,
Anunciou-se a guerra entre a desumana humanidade,
Hasteou-se a lança de cobre, e pôs-se a desordem como ordem, a esperteza como norma, o individualismo como sentença, a desavença como idealismo!
Ah, mas graças que a natureza não falha, segue seu ciclo com astúcia e destreza, fartas tetas de mãe negra!
Depois de ríspida tormenta, sempre renasce chuva nova, broto novo, açude cheio, pasto farto, terra fecunda...
A água correndo pelas veias dos riachos padecentes, a existência remanescente revigorando-se, dando voz aos rios perenes!
A calmaria pousando nos lares... A cadeira na calçada, o cheiro de chuva, a sinfonia dos grilos e pardais, tudo se tecendo em bonança e paz!
É a poesia dando vida a minha vida, dando ida a esse, enfim findo leva e traz.

sábado, 6 de outubro de 2007


P2

Vi a tua juventude se embriagar de tua boemia,
E de teu mundo dentre bancos, canteiros, e escadarias,
Vi a poesia tecer a noite, e o centro de artesanato compor sinfonias e desatar açoites,
Vi o teatro reinventar a fantasia, e o balé cantarolar o drama e a alegria,
Vi as mariposas pousando em tuas esquinas e vendendo suas primazias,
Vi teus moribundos se com’fundindo com o asfalto,
Vi dos miseráveis, o altruísmo, e da burguesia, o assalto
Vi tua arte brotar das mãos calejadas dos andarilhos que criam colares e alegorias,
Vi o que não se vê em qualquer mundo,
Vi o que se vê por debaixo dos trilhos, dos retalhos,
Das máscaras, dos etílicos, e dos fumos,
Vi o despir da nudez de quem se entrega e se liberta, e cá encontra seu rumo,
Pois cada qual respeita a singularidade de cada pessoa-mundo!

terça-feira, 2 de outubro de 2007


Que seja abençoado o dia em que a humanidade perceberá que a sapiência brota da insanidade!

Ainda confundem genialidade com loucura!

Que abram as portas de todos os hospícios!



"...Bicho de 7 cabecas, bicho de 7 cabecas..."EMBRIAGAI-VOS!

terça-feira, 25 de setembro de 2007



Ponha todos meus vícios sobre a mesa,
Quero solver minha tristeza.
Hoje me embriago dessa mania de ver retratos,
De escreves bilhetes, de ler classificados.
Sim, todos os meus vícios,
Da minha humanidade, o prestígio,
Da minha solidão, o abrigo.
As virtudes só massificam o martírio.

domingo, 23 de setembro de 2007

Alvor'arada


Notí’vagar dentre os portais


A luz da noite dos homens da noite
Encontra-se
Com a luz do dia dos deuses do dia

O
Despertar
Dos galos, dos padres, dos operários,
Deparar-se
Com
O
Ultimar da noite dos vigias, das prostitutas, dos embebedados

As luzes se descobrem.

O início de um se dá pelo fim do outro.
Continu’ação.
O tempo não pode parar.
Foi dada aos homens essa missão!
O espaço não de ontem não pode ser o mesmo de amanhã nem de então!
Quantos sonhos pra alimentar, quantos deputados para enriquecer, quantos homens pra amar, quantos filhos pra parir, quantas matas pra proteger, quantas armas pra se munir!
Quantas...
Pró-criação!

Sinto anunciar, pois sim, pois não, pero...
Quando o findar de uns se pronuncia
A labuta de outros se anuncia.

As luzes se invadem no rematar da noite, no raiar do dia.
Mundos af(l)ora.
Luzes
Nas nuanças das tranças de Aurora!

Luzes dos postes que alumiaram se iluminam de orvalho, de sol, de amanhecer.

Luzes se entrelaçam luzes con’fundem mundos.
Luzes me fazem renascer.
Mas por favor, fechem as cortinas, preciso adormecer!

Bárbara

23 set 07, 6:06 a.m.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Se amássemos os outros pelo que eles são, e não pelo que queremos que eles sejam, o amor seria mais sereno e verdadeiro, decerto sofreríamos menos.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

D’ela para Ele I


Como sentir falta de quem só é ausência?
Como querer presença de quem é só palavra?
Sinto pesar pelo amor não vivido,
Pelo beijo não dado,
Pelos bilhetes perdidos,
Pelo porvir mal amado..

Sinto saudade do desconhecido que deixei partir,
Por não o ter abraçado.

terça-feira, 18 de setembro de 2007


Des'encontro



Desencontro

Ela- Que espécie de feitiço
Fez-te tão meu sem ser recíproco?
Ah, o amor não dá avisos,
Tua lembrança é meu abrigo,
Minha prisão, meu esconderijo.
Ainda me liberto de ti e de tudo isso.
Mas que não morra em mim o Amor,
Meu mais precioso sentido!

Ele- Que querer bem é esse que tanto mal me faz?
Que tempo é esse que tudo esquece e que ti sempre re’mete mais e mais?
Como esse tempo me trai!
Ah, minha maior vontade era de ter-te à vontade, sem esse leva e traz...
Quero ter-te entre braços como sempre tive entre versos, entrelinhas, entre meias verdades!
Ah, que sei eu do que é Amar, eu que sou só vaidade?
Amei tanto o amor, que esqueci que ele é pura despretensão e suavidade, e que se deve amar a amada, a amante, pois amar só o amor e o próprio semblante é hostil pecado, é a fatuidade ego’ísta do Eu que te levou do meu abraço, e que me fez retirante.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Os cajus douram em aurora,
Os ipês afloram em deslumbramento,
Quente fervente’mente quente passa-(o)-tempo,
Celeremente escapole o seco vento,
Desajeitando cabelos, refrescando almas, dando forma aos sedimentos...
Assim embeleza-se o sertão em Setembro.

09.09.07

terça-feira, 11 de setembro de 2007

(De)Cadência

-E enfim, depois de tanta verborragia, qual é a tua opnião?
- não se tem mais tempo para pensar sobre isso.
não se tem mais tempo para pensar sobre.
não se tem mais tempo para pensar
.não se tem mais tempo, PÁRA!
não se tem mais tempo.
não se tem mais.
não se tem.
Não, se....
Não!!!



A.B.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Palavras



são


signos que

nos revelam imagens. Força m o t r i z
da imagin'a ç ã o...
Ah, as palavras, e sua pró-criação!

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Con'fundir a solidão com o porvir


Minha solidão se distrai com o cair da alvorada,
Notívagos cambaleiam pela estrada,
Ouvem-se sussurros, devaneios, poesias enamoradas.
Há quem vá ao emprego, ou a caminhada,
E cá continuo eu, a não esperar mais nada,
Frio o café reflete minha face, minha alma
O relógio na parede jaz sua ultima embalada,
O bilhete não veio.
Tudo se com’funde com a madrugada passada.


8 set o7

Bárbara

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Piauí sem Í, é Peixe sem Rio!

Ah, e eu fico aqui sem entender...
Por que tanto querem tirar nossos acentos, nossa mais aportuguesada melodia de ser?!
Até o tupi enamorou-se dessa “musicalização” do escrever, constituiu família, fonema, palavra, poesia, e não deixou mais de adolescer!
Ah, essa língua mãe que se metamorfeseia! Ora é Palarva, ora é borboletra!
PIAUÍ, sem acento não teria a mesma sinfonia, a mesma harmonia, o mesmo embelecer.
Que tirem todos os acentos, seria hipocrisia minha isto não dizer, sei bem que a língua se faz da fala, e não da escrita pura e exata, a verdade é que muitos poucos sabem onde realmente fica o acento, por exemplo, cateter, aqui em Teresina é catéter, sem ao menos acento ter, então sem medo de cometer qualquer gafe, a prova mais fidedigna da fala sobre a escrita, é o sotaque.
Mas por obséquio, faço aqui meu singelo pedido, não tirem do Piauí o que lhe é de mais querido, mais autêntico, mais bonito! Piauí sem o Í, é peixe sem rio!

2 set 07

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Não estamos aqui pra eleger o Preto, nem o Branco, mas o direito de sê-los!

Manifesto não pró, mas também Não contra Tabaco I

O ônibus pára por 5 min, para embargue/desembargue, cinco ou seis passageiros descem, ao invés da vermelha fita no braço, eles tem um cigarro nas mãos. Todos já sabem quem são.
Cinemas, ônibus, salas de justiça, a fumaça era parte fidedigna de todos os cenários, há um pouco mais de duas décadas, mais de 30% dos maiores de 12 anos deixavam o fumo leve fugir pelos dedos, tal qual Florbela.
Alguns por tradição, outros por modinha, outros por hábito, alguns por influência, outros por disposição.
Inícios vários, mas quase sempre com a mesma conclusão: o vício.
Vício, defeito físico e/ou moral, mau hábito inveterado, costume condenável... São coisas estas que os dicionários definem.
Então pergunto, o que é que na vida se faz que não é vicioso?
O que não é prazeroso, talvez.
O excesso, a libido, o doce de coco.... Tudo isso requer uma libertinagem, uma desmoralização, uma animalidade...
Enfim, voltando ao fumo, tabaco, charuto, cigarrilha.... todo mundo sabe seus malefícios, como também conhece os do bacon, das noites insones, da festiva embriaguez...

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Como qualquer coisa que passa a tarde fervendo em terra quente muito quente do norte, a qualquer coisa passou. como qualquer outra coisa que também passa.
Só não passa esse tempo quente fervente que não venta não chove, só não passa esse calor infernal que faz dessa terra ícone da evolução humana! Fantástica civilização que sobrevive na mais quente das terras americanas!
terra das mais desvairadas excentricidades, das mais criativas linguagens, das mais lúcidas insanidades!

E que nossa QuenTeresina seja louvada!!


O melhor do Piauí é o piauiense!


terça-feira, 14 de agosto de 2007



Antônia

Cada dia se passava como uma vida,
Um entrelaçar de obscuros instantes,
Outro endereço, outro escritório, outra estante,
Mudanças constantes,
Contraia gonorréias, confundia semblantes
Senhores roliços, botequins, mulheres gestantes
Dólares, porradas, perfumes,
Sina errante,
Ora era mulher, ora era amante
Ora de cobre encoberta, ora tanta fome!
Ora e outrora tão díspares, todavi[d]a tão semelhantes!

José Inácio, Manoel Sousa, Arnaldo Cavalcante
Ora não sobrava mais horas, mas ela continuava a ir adiante.




quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Nosso tempo é o Agora!


Os destroços de um sonho ao meio do fora-do-tempo, do espaço.
Destroços de quem fez tantos planos
E de nada adiantou,
O povo pobre inquilino, das terras do coronel dotô,
O riacho com dores, sede, e fome,
Esquecido em terra que tanto fez por onde,
Cospem na nascente de onde brotaram as gerações pioneiras.
Alguém um dia disse que o destino de todo rio brasileiro era morrer, alguém um dia disse quem não ama sua terra não terá onde viver. E eu cá comigo, sem mesmo entender, por que nossa matriarca ribeira, nessas terras sertanejas não pode sobreviver?


Foto: Tempos bons de cont'artes! Pintamos & bordamos, fizemos renascer...

A arte pulsa nos paredões esquecidos de um riacho morto!

SOS MOCHA, essa luta não pode padecer!


sábado, 4 de agosto de 2007

oWerDose


Enfadados passageiros esperando a locomoção nas duras cadeiras azuis de madeira cerrada da rodoviária da pequena cidade do interior do distrito de San Rafael do departamento de Mendoza.
Mujeres prenhas andarilhos descalços pedintes magros perros esfomeados mendigos drogados meninos & Ele. Esperando penando na friagem com sono e a perua que não vinha, e a fome aumentando.
Preguiço corpo estendido sobre o cansaço de dias fadigosos trabalhosos tediosos rotineiros que mal deu para pagar as 3 papas fritas e o pão velho e o palermo rojo e o ramón cru e o viño seco. 120 pesos. Todo consumo de uma semana. Além da dormida em um cômodo imundo de um antigo prédio francês em ruínas dividido com mais três. 80 pesos. Carregou caixa enrolou charuto chupou uma bicha magra roubou um velho barbudo. 600 pesos 35 reais e um dólar roído que não valia mais além de uma hérnia e uma dor na coluna. É preciso.
É preciso ganhar o litro de leite, as amantes, as glicoses. E o ônibus nada de chegar.
Foi deixar as bagagens na sala de embarque para viagens internacionais. Parou. Ele. Comprou un pancho e una Quilmes.
Um casal de andinos se aproximou. A gorda mujer de rosto marcado o mirou e com a mão fez um sinal. Lo muchacho magro em um sobressalto pegou a carteira e correu desenfreado. Ele, pobre coitado!
Sem documento, sem um puto furado. “Porra, nunca tinha pensado num assalto!”
Clandestino em terra distante em língua diversa em passos errantes sem regaço abraço laço afago ou afins perdido des_com’pass(ad)o.
Sem carteira assinada sem garantia sem nada nem cachaça nem tabaco nem cevada. Outrora dias de boemia ahora melancólica poesia funesta estiagem.
Duras cadeiras de merda! Desumanizados assentos coluna doendo fechado tempo frio cortante desacostumado corpo de retirante tão friorento. Quanto tormento!
Atraso.
Perdido em pensamentos momentos difusos sem passa-tempo instante fome desalento terra querida tão ao norte e ELE sem sorte sem parentesco sem endereço sem nada entender.


OWERdose. Ficou à mercê.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Acá muy Buenos Aires,
Ajá mucha seca, e calamidad,
Pero se quieres saber,
En bueno portugués, é de lá que sinto Saudade.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Inté!


Ir e vir,
Adeus mano, adeus birita, adeus Garoa!
Vou para la nieve,
Después vou vortar pru meu Sertão!
Um dia ainda hei de sorrir,
Em tua alcova,
E sem pensar me leve,
E me traga um chimarrão.


....


Rodo'viárias, pássar(o)elas...


Au revoir, inté los Andes!

domingo, 15 de julho de 2007

Sampeando


Surpreendente_mente.

Defini, but não limita Sampa.

Pressa passo palavra teto canção;

Remessa assalto amarra elo prisão.


Pedinte.


Pedal.

Museu. Clarisse. Mercado.

Alcachofras, Ual!


aV. pauLista, Madalena.


Inebriante. Ande, ande mais rápido.

Tudo tem seu mal lado.


Menos pressa, minha gente, menos pressa.


Contempl'AÇÃO!

sexta-feira, 13 de julho de 2007

"...Da dura poesia concreta de tuas esquinas"


Toda terra tem seus caprichos, na FerVENTEresina a coca esquenta, e o chocolate derrete, aqui, na terra da garoa, o café esfria. Ah, toda terra tem suas manias.
Minha alma sertaneja malacostumada com a frialdade do sul, inquietou-se.
Distante gente, vai e vem, cidade de retirantes, apressado tempo. É preciso ganhar o cobertor, o alimento, o sonrridor. É preciso. Gente errante. Tem sede, tem frio, tem dor, tem fome.
De repente o trem, o sinal, a passarela, o museu da Língua Portuguesa. Paro.
Saboreio o entrar e sair das mentes curiosas. Não me atrevo.
As pesadas sacolas gritam em meus dedos. Soam mais alto.
Como bem disse a sorridente velhinha paraibana que vendia lanches de carne, “Ah, rua Zé Pualino, quando entra é difícil sair.”
Bem, tenho até quarta, o tempo me conforta. Desencadeado tempo, dias de deslumbramento.
Eita, frio da porra!

“É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi, da dura poesia concreta de tuas esquinas...É QUE NARCISO ACHA FEIO O QUE NÃO É ESPELHO”

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Que horas são?


O sol se deita, o velho balança o menino na perna, o pião jaz sua última rodadela. As alpargatas ao pé da porta adormecem depois de um cansativo dia de caminhadas.
O cheiro de café torrado invade a sala de estar.
Em um sobressalto o menino se levanta, e fita o encanecido relógio da parede, que deveras já oscilou várias vezes, marcando horas tantas, horas de quando ele ainda nem era menino. De quando ele ainda nem era.
Por alguns segundos eternos o menino fitou o relógio, o tempo, o ponteiro magro e apressado, e o ponteiro gordo e lerdo, o tempo que roubaria a sua meninice, suas férias, suas peraltices, o tempo que marcara a face e a alma de seu velho avô prostrado na grande poltrona flexível. Tempo que roubara sua robustez, seus sonhos, sua jovial insensatez.
O relógio, o menino, e o sol posto.
O menino dá a sua última olhadela no senhor das horas, certifica-se da sua marcação, e pergunta ao velho prostrado em sua flexível poltrona grande, “Que horas são?”.

Menino, larga isso, que o tempo não é brincadeira não.

segunda-feira, 2 de julho de 2007


PUNH'ETA!

Me leve, leve.
ME LIVRA, ME LAMBE, ME LAVA. ME LOVE. ME.
LARVA, SÊMEN ESCA'PÓLEN.
VUL’CÃO!
CÃO.


Ai, não diz que Não.



Dize-tu-direi-eu


quinta-feira, 28 de junho de 2007

Ontem me surpreendi com as reviravoltas da vida,
um ex-desgarrado me disse ontem, sem mais demora,
"Me livrei desse álcool, dessas drogas",
e sem meias verdades alfinetei:
"E se escravizou à sobriedade"

...

Cousas assim, cousas assado.

Acon-tecem.

terça-feira, 26 de junho de 2007


A poesia pronta me convida ao deleite,
Ali na porta de casa, onde o menino picolé, troca sorvetes por garrafas vazias.
Convite.
Rebentos meus pairando sob a cena da poesia pronta,
Sob o descaso dos apressados passos, que sempre estão a ir e vir, sem se dar conta da poesia pronta que o olhar pode trazer.
Olhar descuidado, sem pressa, sem
horário.
Olhar que pousa no cenário das trivialidades, e se surpreende com cada novo encontro da poesia com o cotidiano.

Hoje, eis que apareceu um arco-íris no meu quarto, ah, graças a Deus que tenho um olhar descuidado, e uma cam que tira re'tratos, rs!

segunda-feira, 25 de junho de 2007

p2

A lua ao alto desaba em estrelado manto,
Uma lona caindo, redonda, velando o tempo manso.
O mundo.
Ao alto. O manto estrelado.
Cenário por Deus ilustrado.
Ardores, fogueiras, faíscas, clarões.
Lua ao alto, meio crescente, meio cheia,
Um dia que desaba em uma vida inteira.
Águas, carnaúbas, cachoeira.
Festa de São João,
Ciranda, rodada, bailão,
Viva a lua ao alto,
A lona, o imenso palco,
Picadeiro errante, mundão fascinante.
Um dia em que pararia o tempo, e viveria de deslumbramento.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Borboletras de seda vagueiam pela estradinha de terra,
e eu as acompanho, sem medo, sem trela,
então sigo as moscas, e vou até a raspa do tacho,
se não me perco, não me acho!



Desde tenra idade,


aprendi que o importante não é o prazo de validade,


é a coragem, a textura, e a vontade.




Pena que nessa tal globalização, só tem vida, aquele que tem "condição".


É, e eu tento me contentar com o "C'est la vie".






quinta-feira, 21 de junho de 2007

Assim, assado.



Dias. Nos dizeres de Secos & Molhados Assim, e assados.


Dias assim, assado.


E o tempo passando, e tarde esquentando, e o sábado.


Sábado que ainda não veio, e os dias vão passando sem muitos horários.


O tempo livre, as horas soltas, o infindo intervalo.


E o futuro se confundido com o passado, em tempo presente, tempo gerúndio a escrever este recado. Escrevendo.


Pass'ando.


E assim as horas se encaixam, a espreita, a espera de um qualquer desses sábados, onde o instante é o momento exato.





Pois sim, pois não.





Alguém tem outra solução?

Tudo vale, até feijão requentado.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Menino da rua, menino do mundo.


Olhando a sua mais distante realidade,
O menino percebe o mundo,
De perfumes, amores, e vaidades,
“Tão caro, mas tão imundo”, ele pensou.
E voltou a lavar o carro.






Ela


Foto: Último Campos

Chico!


É porque ontem foi o dia Dele,

"Gemini, gemini, geminiano, esse ano vai ser o seu ano, ou se não o destino não quis., mas eu hei de ser, terei de ser, serei feliz, serei feliz, feliz.."

e eu morro de amores...

A Quenteresina anoiteceu em friagem,
De repente lembrei-me de minha infância
Do frio das noites sertanejas,
Do medo da Cruviana,
E das estórias de sonho, assombração e crueldade,
Cousas da mesma vocação, e que tanto me re-metem saudade.


segunda-feira, 18 de junho de 2007

Terra da Opala, 3,14auí.

Doura o milharal ao raiar do dia.
O sol por detrás da serra desperta em matutina poesia.
Sol nascente, menino traquino louco pra irradiar.
Afagando o tempo frio, a noite insone, e a infinda cantoria dos notívagos incessantes.
Tudo se tecendo em alvorada.
Renascendo, transbordando, desabrochando em revoada.
Mariposas noturnas fascinadas bailando em volta da luz.
Um manto de clareza encobre a serra, um arco-íris costura o firmamento.
O mesmo tempo sem pressa desaba em contentamento,
Ah, uma real ilusão.
Juro que isso não passou de mera descrição.